Política

Genro de Malafaia é apontado como responsável pela crise milionária na universidade

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Anderson Silveira, genro do pastor Silas Malafaia, é o principal captador de emendas da UFRRJ e lidera o programa Previt.  |   Bnews - Divulgação Reprodução / Redes Sociais
Daniel Serrano

por Daniel Serrano

daniel.serrano@bnews.com.br

Publicado em 26/10/2025, às 10h22 - Atualizado às 10h22



Casado com uma das filhas do pastor Silas Malafaia,  o professor Anderson Silveira vem chamando a atenção por suas atividades fora das salas de aula. Ele é o principal captador de emendas parlamentares da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). As informações são do jornal O Globo. 

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Atualmente, Silveira comanda o Programa Esporte Para a Vida Toda (Previt). Em 2024, ele recebeu R$ 14 milhões do Ministério do Esporte. O valor é mais do que o dobro do segundo colocado da instituição. No entanto, a iniciativa causou uma crise interna na instituição de ensino e resultou na renúncia coletiva da diretoria da Fundação de Apoio da Rural (Fapur)  da UFRRJ. 

De acordo com a publicação, cabos eleitorais e aliados de deputados estão entre os beneficiados do programa. Ao todo, foram destinados R$ 11,7 milhões em bolsas, sendo R$ 7 milhões para pessoas de fora da universidade. 

O Previt prevê 75 núcleos esportivos em mais de 20 municípios do Rio de Janeiro. Ao menos 14 funcionam em igrejas e tem o envolvimento direto de pastores. O financiamento foi feito através de um Termo de Execução Descentralizada do ministério, o que dificulta rastrear os parlamentares responsáveis pelas emendas.

Ainda segundo a reportagem, os deputados Laura Carneiro (PSD-RJ), aliada do prefeito da capital, Eduardo Paes, e Roberto Monteiro (PL-RJ), correligionário do governador Cláudio Castro, fizeram indicações de núcleos do programa. 

Anderson admite que recebeu indicações de parlamentares para participar do projeto. Porém, ele diz não saber quem enviou os recursos e nega que o fato de ser genro de Malafaia o ajuda na captação da verba ou na escolha desses núcleos.

"Ele (Malafaia) nem sabe que eu trabalho com esse tipo de coisa. Os parlamentares não determinam, mas eles chegam a solicitar que haja, quando possível, uma atenção para essa ou aquela região. Pode acontecer de o parlamentar fazer algum tipo de propaganda no próprio núcleo, mas isso está fora do nosso controle", disse. 

Instâncias de controle interno da UFRRJ identificaram distribuições atípicas na quantidade de bolsas distribuídas em projetos de Anderson. Mais de 80% dos R$ 14 milhões do Previt é voltado para o público de fora da universidade. A Fapur, responsável pela execução financeira, renunciou ao bloco em agosto, alegando anomalias na condução da iniciativa.

Por outro lado, Anderson diz que o projeto passou por atrasos por “incapacidade da Fapur” de gerir os recursos e de realizar a compra de material. O valor do Previt representa metade dos R$ 33 milhões que a Fapur obteve através de emendas nos últimos cinco anos.

Além disso, existe ainda uma influência política nas contratações feitas pela instituição. Um aliado da deputada Laura Carneiro, identificado como Jorge Luiz Almeida Dalta, assumiu a função de “coordenador administrativo” dos projetos, com remuneração de R$ 6 mil mensais. 

Já na cidade de São Gonçalo, o pastor Cleverson Pinheiro foi contratado para “apoio comunitário”. O religioso gravou vídeo agradecendo ao deputado Roberto Monteiro por levar o projeto à região. 

Procurada, a UFRRJ disse que “a participação de tais membros externos foi defendida verbalmente pela coordenação do projeto embasada na necessidade de seleção de pessoas pertencentes às comunidades atingidas pelo programa, que obtivessem, primordialmente, vivência em projetos sociais esportivos”. 

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