Política
Publicado em 14/12/2024, às 21h06 - Atualizado às 21h14 Adelia Felix e Matheus Simoni
As investigações da Operação Overclean trouxeram à tona não apenas um esquema de fraudes licitatórias e desvio de recursos públicos, que movimentou cerca de R$ 1,4 bilhão, por meio de contratos com o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) na Bahia.
No inquérito da Polícia Federal (PF), obtido pelo BNEWS, conversas revelam os bastidores das relações entre um dos investigados, Clebson Cruz de Oliveira, que tinha forte ligação com os irmãos Fábio Rezende Parente e Alex Rezende Parente, apontados como cabeças do esquema.
Um dos diálogos interceptados pela PF destaca uma suposta troca entre Clebson, ex-sócio dos irmãos em uma das empresas investigadas, e sua esposa, Patrícia, que, ao final de uma conversa sobre benefícios recebidos, exclama: “Glória a Deus”. Ele está preso no sistema prisional do Estado.
Para a PF, Clebson é uma figura importante para os irmãos Rezende. Ele é ex-sócio de Fábio nas empresas Allpha Pavimentações e Serviços de Construções Ltda, Qualymulti Serviços Eireli e Olgarena Comercial Ltda. Ele foi ainda funcionário da Larclean Saúde Ambiental Ltda. e também da filial da P.A.P. Saúde Ambiental, empresa que teve como sócio administrador e responsável, Pedro Alexandre Parente Júnior, pai dos irmãos investigados.
Na conversa interceptada pela polícia, Clebson menciona ter recebido R$ 10 mil e um terreno de Alex, demonstrando uma relação de dependência financeira e comprometimento.
Clebson chegou a contar para esposa que perguntou a Alex como ele poderia pagar pelo imóvel. O empresário teria respondido. “Primeiro ajeite lá como você vai fazer na sua terra, depois a gente conversa”. O episódio demonstra uma possível dinâmica de trocas de favores e recompensas.
A resposta de Patrícia ao diálogo destaca sua consciência sobre o papel de Clebson no esquema: “Deixe de ser besta! O tanto que você faz por ele. Esse negócio desse emprego aí”. O tom da conversa sugere que os benefícios eram vistos como uma compensação mínima diante do “comprometimento” de Clebson com os interesses de Alex.
Patrícia, em um momento de satisfação, exclama: “Glória a Deus” diante da perspectiva de que a dívida não seria cobrada.

Os registros da Polícia Federal mostram que a empresa Allpha Pavimentações passou por mudanças societárias estratégicas para ocultar os verdadeiros proprietários e facilitar as fraudes. Em 2021, a FAP Larclean Participações Ltda transferiu suas cotas para Clebson e uma outra pessoa, Thiago Costa Santos, com mudanças ocorrendo antes de um pregão licitatório.
No ano de 2022, os irmãos Alex e Fábio assumiram oficialmente o controle da empresa. O uso do CNPJ de 2017 foi estratégico para aparentar maior credibilidade no mercado, facilitando fraudes em licitações.
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