Política

“Gosto amargo”! Presidente do Paraguai critica falta de acordo com Brasil em discurso a Lula

Fernando Frazão / Agência Brasil
Relações entre Brasil e Paraguai enfrentam tensões após investigação de espionagem digital pela Abin, reabrindo feridas históricas.  |   Bnews - Divulgação Fernando Frazão / Agência Brasil
Daniel Serrano

por Daniel Serrano

daniel.serrano@bnews.com.br

Publicado em 21/12/2025, às 14h50 - Atualizado às 14h50



Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e do Paraguai, Santiago Peña, se encontraram na Cúpula do Mercosul neste sábado (20), em Foz do Iguaçu, após inaugurarem a mesma ponte em eventos diferentes, cada um de um lado da fronteira.

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Durante o discurso na reunião do Mercosul, o presidente paraguaio se dirigiu diretamente a Lula e disse que o vê como "um grande líder, que abraça as causas populares". Peña também lamentou o não acordo entre os dois países para que fizessem um único evento e disse que ficou com um "gosto amargo na boca".

"Mesmo dentro de meu incurável otimismo, também tenho que ser realista. [...] Porque vejo que, apesar dos avanços, vejo uma mesquinhez política. Vejo que, para além dos discursos que repetimos a cada seis meses nessas cúpulas, quando temos que implementar muitas das ações, não vemos grandes avanços. E um exemplo, presidente Lula: o senhor mencionou a inauguração da ponte no dia de ontem. E nisto assumo, em parte, a responsabilidade -- a responsabilidade da minha chancelaria e da sua chancelaria, que depois de 50 anos da inauguração da Ponte da Amizade, as chancelarias não puderam chegar a um acordo para que o senhor e eu pudéssemos nos encontrar no meio dessa ponte para celebrar um feito histórico", disse Peña.

O presidente paraguaio sugeriu ainda que ele e Lula trocassem números de telefone para definirem a data de uma outra inauguração: a de uma ponte entre a cidade paraguaia de Carmelo Peralta e Porto Murtinho, no Mato Grosso do Sul.

Para Peña, isso seria necessário "porque claramente os chanceleres demonstraram que não são capazes de fazer um acordo". "Quero estar com o senhor e lhe dar um abraço no dia da inauguração desta ponte", emendou.

A relação entre Brasil e Paraguai vive um momento de turbulência. Em abril, o Ministério Público paraguaio iniciou uma investigação para apurar uma suspeita de espionagem digital pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin). O governo do Paraguai ainda cobrou explicações sobre o suposto monitoramento.

À época, Peña lembrou a Guerra do Paraguai (1864-1870) e disse que a suposta espionagem "reabre essas velhas feridas, quando o que queremos é deixar para trás essa história de ódio e ressentimento".

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