Política

Governo Lula incinera R$ 108 milhões em remédios e vacinas; itens valiam até 2050

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O total de insumos descartados na gestão atual é 3,3 vezes maior que no governo anterior de Jair Bolsonaro.  |   Bnews - Divulgação Ilustrativa / Freepik
Daniel Serrano

por Daniel Serrano

daniel.serrano@bnews.com.br

Publicado em 22/02/2026, às 12h40



O Ministério da Saúde incinerou mais de R$ 108,4 milhões em vacinas, medicamentos e insumos ao longo de 2025. O que chama atenção é o fato de 17,1% desse total — cerca de R$ 18,5 milhões — ainda estava dentro do prazo de validade, segundo levantamento obtido via Lei de Acesso à Informação (LAI). As informações foram reveladas pela coluna do jornalista Tácio Lorran, do portal Metrópoles.

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Entre os produtos destruídos estão equipamentos hospitalares, medicamentos de alto custo e até tratamentos oncológicos. Também foram incinerados medicamentos e anticorpos monoclonais usados no combate ao câncer, como o blinatumomabe adquirido por mais de R$ 141 mil a unidade, e o brentuximabe vedotina, usado contra linfomas, com preço superior a R$ 88 mil por dose. Vacinas contra a dengue e tratamentos voltados a doenças raras também aparecem na lista de descarte.

De acordo com o Ministério da Saúde, houve redução em relação a anos anteriores. Em 2025, a taxa de incineração correspondeu a 1,48% do estoque total. A meta da pasta é baixar esse índice para 1%. Mesmo assim, o patamar segue acima do registrado antes da pandemia de Covid-19.

Nos três primeiros anos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o total de vacinas, medicamentos e insumos descartados chegou a R$ 2 bilhões. O valor é aproximadamente 3,3 vezes maior que os R$ 601,5 milhões incinerados durante todo o mandato de Jair Bolsonaro.

Em 2023 foi registrado o pico da série histórica com o descarte atingiu R$ 1,3 bilhão, com destaque para imunizantes contra a Covid-19 e anestésicos amplamente utilizados no período pandêmico.

Em resposta, o Ministério da Saúde disse que incineração dos itens segue razões técnicas e que, quando há não conformidade, ocorre reposição ou ressarcimento conforme o contrato. No entanto, a pasta não informou se houve estorno específico de produtos ainda válidos ou adquiridos por decisão judicial.

Entre as justificativas para o descarte estão:

  • flutuações na demanda por mudanças no cenário epidemiológico;
  • compras determinadas por decisões judiciais;
  • atualização de protocolos de tratamento;
  • avarias ou problemas de conservação;
  • alterações em doenças como malária, dengue, tuberculose e hanseníase.

O ministério afirmou ainda que casos ligados à judicialização — como suspensão de decisões, mudança de tratamento ou até falecimento do paciente — podem levar à devolução de medicamentos, que acabam inutilizados.

Ainda de acordo com a coluna, a Controladoria-Geral da União realizou auditoria e identificou falhas no controle de aquisição e distribuição desses insumos. O órgão recomendou medidas para reduzir perdas, como:

  • definição de limites aceitáveis de descarte;
  • aprimoramento dos sistemas de monitoramento;
  • criação de protocolos para registrar perdas;
  • melhoria da comunicação com estados e municípios;
  • estudos logísticos sobre prazos de validade e distribuição;
  • revisão de normas e governança de estoques.

O Ministério da Saúde declarou ainda que as recomendações “já foram cumpridas ou estão em fase final de execução”. A pasta também citou ações como remanejamento de medicamentos entre unidades da federação, doações a outros entes e compras com cronograma de entrega parcelado.

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