Política
O presidente estadual do Podemos na Bahia, deputado Heber Santana, avaliou positivamente, em entrevista ao BNews, o avanço das conversas para uma possível fusão entre seu partido e o PSDB - destacando a medida como uma resposta estratégica às exigências impostas pela cláusula de desempenho.
“É um importante processo de crescimento do partido, entendendo as necessidades que a cláusula de desempenho traz, buscando a perspectiva de junção partidária — ou seja, fusão, incorporação, federação, para fortalecer os partidos e conseguir atender a essa demanda”, afirmou Heber, para a reportagem. “Isso é uma construção e nós estamos nessa fase ainda, discutindo a possibilidade de fazer essa fusão com o PSDB — que, acontecendo, tornará os partidos juntos mais fortes, dando uma perspectiva de sucesso eleitoral maior. E nossa discussão é nesse sentido”.
A manifestação do dirigente baiano ocorre após a executiva nacional do PSDB aprovar por unanimidade, na última terça-feira (29), o início do processo formal de fusão com o Podemos. A decisão foi tomada durante uma reunião a portas fechadas.
Presente virtualmente no encontro, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, que já manifestou insatisfação com o rumo do PSDB e ameaça deixar a legenda, votou favoravelmente à união. Apesar disso, ainda não há definição sobre sua permanência na nova sigla em construção.
Heber ponderou que, embora o aceno inicial seja promissor, há etapas delicadas pela frente. “Claro que, para isso, é necessário se discutir funcionamento, processo decisório, organização dos estados, que é uma fase que chega após a evolução dessas conversas da fusão. O PSDB aprovou em discussão interna a abertura desse diálogo formalmente e a gente vai continuar então conversando, observando como vai se desenrolar e como de forma prática isso vai se dar inclusive nos estados também”.
A eventual fusão ainda depende de uma série de trâmites, incluindo reuniões conjuntas para a elaboração do estatuto e do programa da nova agremiação. Também será necessário eleger, por maioria absoluta, o novo órgão de direção nacional. Por fim, a formalização da união dependerá da aprovação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A cláusula de desempenho, prevista na legislação eleitoral, exige um percentual mínimo de votos nacionais para que partidos tenham acesso ao fundo partidário e ao tempo de televisão — o que tem levado legendas menores a buscar alianças ou fusões para garantir sobrevivência institucional e relevância política.
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