Política

Influenciadora de Salvador é condenada a prisão por falas transfóbicas contra deputada; parlamentar nega ter feito denúncia

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Deputada Duda Salabert afirmou que não conhecia a influenciadora, não participou do processo e não foi quem acionou o MP  |   Bnews - Divulgação Henrique Brinco / BNews
Redação BNews

por Redação BNews

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Publicado em 12/08/2026, às 08h00 - Atualizado às 08h16



A influenciadora Bianca Barreto foi condenada a dois anos de prisão por falas consideradas transfóbicas contra a deputada federal Duda Salabert (PSOL-MG). A decisão foi assinada na quarta-feira (29) pela juíza Eduarda de Lima Vidal, da 9ª Vara Criminal de Salvador. A pena será cumprida em liberdade e ainda cabe recurso. A sentença também prevê o pagamento de R$ 20 mil em indenização.

Apesar da condenação, Duda Salabert afirmou, por meio de sua conta no X (antigo Twitter), que recebeu a notícia com surpresa e esclareceu que não foi responsável pela denúncia. A parlamentar disse que não conhecia a influenciadora, não tinha conhecimento das declarações e sequer havia sido procurada durante o processo.

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"Eu não fui quem procurou a Justiça. Pelo que soube pela imprensa, a ação foi movida pelo Ministério Público da Bahia", declarou.

Fala transfóbica

O caso envolve um vídeo publicado por Bianca em agosto de 2024. Na gravação, a influenciadora se referiu a Duda utilizando o gênero masculino e fez críticas à identidade de gênero da deputada.

Conforme a decisão judicial, a influenciadora foi condenada pelo "uso intencional e pejorativo do gênero oposto à identidade autodeclarada". No vídeo, ela afirmou que a parlamentar seria "um cara que diz que é uma mulher trans" e questionou o fato de Duda ser casada com uma mulher e ter um filho ou filha.

Na sequência, Bianca declarou que a forma como Duda vive sua intimidade não seria problema dela, mas afirmou que considerava problemático quando pessoas trans tentam "impor" determinadas ideias. "Homem é homem, mulher é mulher e acabou", disse.

O que diz a deputada

Em pronunciamento compartilhado no X, Duda Salabert afirmou que não comemora a condenação e avaliou que decisões desse tipo podem produzir um efeito contrário ao que pretendem proteger.

"Eu não entrei na política para passar o meu mandato discutindo quem me ofendeu, quem falou de mim, quem gosta ou não gosta de quem eu sou. Eu entrei na política para discutir a vida real das pessoas. Quero discutir educação pública. Quero discutir emprego, salário, meio ambiente, mineração, segurança, saúde, a água que chega às escolas, o futuro das nossas cidades e do nosso país", escreveu.

A deputada disse ainda que sua manifestação não representa o movimento trans, mas sua posição pessoal. Ela destacou que pessoas trans e travestis ainda enfrentam violência, perda de empregos, expulsão de casa, evasão escolar, agressões e assassinatos por causa de sua identidade.

Defesa de influenciadora vai recorrer

A defesa de Bianca Barreto informou que pretende recorrer da decisão. Em nota, os advogados afirmaram estar convictos de que o julgamento deve ocorrer em observância às liberdades religiosa e de expressão. Segundo eles, a influenciadora "jamais defendeu qualquer forma de violência, perseguição ou ódio contra pessoas ou grupos sociais".

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