Política
por Matheus Simoni
Publicado em 13/07/2026, às 19h48 - Atualizado às 20h21
O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas e Investigações Criminais (GAECO), órgão do Ministério Público da Bahia (MP-BA), apontou que licitações foram fraudadas e desviadas por um grupo criminoso que atua na Prefeitura de Salvador há pelo menos oito anos na administração municipal. A informação consta na decisão da Justiça desta segunda-feira (13) que embasou o afastamento do secretário municipal Luciano Sandes, que chefiava a Secretaria Municipal de Manutenção, e o vereador George Reis (PP), conhecido como Gordinho da Favela.
O BNews teve acesso à denúncia e detalha que a investigação traz informações de como funcionava a "sangria" nos cofres municipais.
Os dois foram alvo da operação que cumpriu 18 mandados de busca e apreensão contra pessoas e empresas investigadas no suposto esquema. De acordo com a juíza Martha Carneiro Terrin e Souza, da 3ª Vara das Garantias de Salvador, o grupo era voltado à prática de ilícitos como fraudes licitatórias, peculato, lavagem de dinheiro e corrupção passiva e ativa.
Clique aqui e se inscreva no canal do BNews no Youtube
A investigação aponta que a organização seria dividida em três pilares fundamentais: o núcleo empresarial, o núcleo operacional e o núcleo de agentes públicos, "todos atuando de forma coordenada para o desvio de vultosas quantias do erário municipal através da manipulação de contratos administrativos", segundo a magistrada.
O núcleo empresarial era capitaneado por proprietários e gestores de um conglomerado de empresas, entre as quais figuram G3 Polaris Serviços Eireli, MP2 Construções Eireli, LN Distribuidora e Comércio Ltda., Podium Distribuidora Ltda. e WLSP Logística e Transportes Eireli. Na decisão da Justiça, a juíza apontou que tais pessoas jurídicas seriam utilizadas alternadamente nos certames licitatórios para conferir aparência de competitividade e legalidade às contratações direcionadas. Todas as empresas tinham algum elo, de acordo com a denúncia, com Lázaro de
Carvalho Nunes, empresário apontado pela operação como a liderança principal do conglomerado.
Já o núcleo operacional era responsável pela intermediação financeira e pela distribuição de valores ilícitos a agentes públicos. A investigação aponta os investigados operacionalizam o sistema de propinas, servindo de ponte entre o lucro auferido pelas empresas e os servidores que viabilizam as fraudes.
No âmbito da administração pública, o Ministério Público aponta que o Gordinho da Favela e Luciano Sandes eram figuras centrais do núcleo de agentes públicos. O vereador era então diretor geral e chegou a ter cargo na Seman, enquanto Luciano Sandes chefiou a pasta no período investigado pelo Gaeco. Eles seriam os responsáveis pela gestão política e administrativa que permitia o ingresso e a manutenção do grupo empresarial nos contratos da prefeitura, exercendo influência direta sobre as decisões de pagamento e aditamentos contratuais.
A investigação obtida pelo BNews aponta outros agentes atuando em comissões de licitação ou como fiscais de contrato, seriam os responsáveis pela confecção de termos de referência direcionados, desclassificação indevida de concorrentes e atestados de boletins de medição sem a devida comprovação da prestação dos serviços.
Foram identificadas licitações desde 2018 na Seman com cláusulas restritivas no edital e desclassificação arbitrária de licitantes para beneficiar a empresa G3 Polaris, que fazia parte do suposto esquema. "Da mesma forma, no Pregão Eletrônico nº 02/2018, verificou-se o direcionamento do certame e uma fiscalização deficiente proposital, permitindo que a empresa executasse os serviços de forma diversa da contratada, gerando prejuízo ao erário municipal", apontou a denúncia do Gaeco.
Em relação à Desal, a denúncia aponta que um pregão eletrônico para fornecimento de grama sintética teria sido fraudado. Em 2020, o valor contratual saltou de R$ 434.770,00 para pagamentos totais de R$ 1.412.381,40. Foram identificados pelo Gaeco transferências bancárias efetuadas pelos operadores do esquema para as contas de membros da comissão de licitação.
A juíza ainda justificou o afastamento do núcleo político como fundamental para interromper o que chamou de "sangria" dos cofres públicos. "No caso concreto, a retirada de George Carlos Reis Pereira do exercício do mandato eletivo e de Luciano Sandes do cargo de Secretário interrompe imediatamente o suposto tráfico de influência e a manipulação de aditamentos contratuais descritos na representação ministerial. Sem a 'caneta' oficial, o risco de interferência na Administração é reduzido a zero", detalha.
O Gaeco pediu e Justiça da Bahia deferiu a indisponibilidade geral de bens no valor de mais de R$ 38 milhões (R$ 38.321.127,95), suspensão do exercício de função pública e de mandato eletivo de cinco investigados e proibição de contato entre os representados. Os crimes investigados vão desde fraudes licitatórias a peculato, lavagem de dinheiro e corrupção.
O Ministério Público, através do Gaeco, chegou a pedir a prisão de seis investigados, dentre eles o secretário e o vereador envolvidos no suposto esquema, além de empresários. No entanto, a magistrada considerou a medida desproporcional e desnecessária.
"Sob o prisma da garantia da ordem pública, a interrupção do nexo funcional aliada à asfixia financeira mediante o bloqueio universal de bens e ativos — que ultrapassa a cifra de 38 milhões de reais — configura providência de contenção mais eficaz e pedagógica", apontou Martha Carneiro.
O que dizem os citados
Procurado pelo BNews, o verador George Carlos Reis Pereira (PP), conhecido como "Gordinho da Favela", informou por meio de sua assessoria que não teve acesso a detalhes da investigação. "Esclareço que, até o presente momento, não tive acesso aos autos da investigação, razão pela qual desconheço os elementos que fundamentam a apuração. Coloco-me à inteira disposição do Ministério Público e das demais autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários, sempre que regularmente solicitado, colaborando com as investigações, com respeito às instituições e absoluta confiança no devido processo legal", declarou.
Em nota, a o município confirmou que vai cumprir a decisão da Justiça. "A Prefeitura de Salvador informa que irá cumprir a determinação judicial e que vai colaborar com as investigações conduzidas pelo Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA). A gestão municipal comunica, ainda, que irá abrir procedimento administrativo para avaliar se houve dano ao erário em relação aos fatos apurados", declarou.
O BNews tenta contato com as empresas citadas e o secretário Luciano Sandes. A matéria será atualizada conforme uma manifestação ocorra.
Classificação Indicativa: Livre
Notebook Poderoso
Baixou o preço
Top dos Tops
Notebook bom e barato
Super desconto