Política
por Henrique Brinco
Publicado em 18/06/2026, às 16h22 - Atualizado às 17h02
O senador Jaques Wagner (PT) se pronunciou sobre o suposto apartamento que teria sido pedido por ele ao sócio de Daniel Vorcaro, Augusto Lima. Segundo o baiano, em entrevista para a BandNews, ele teria pedido ao empresário para adquirir o imóvel como investidor e que depois recompraria o bem na mão do empresário.
"É um apartamento que está em construção, aqui no Horto. Tinha o interesse de dar ou ajudar a minha filha a comprar um apartamento desse. Como o Augusto Lima é um investidor, disse à ele 'você pode comprar, depois eu recompro'. Porque o apartamento ainda não está em construção e eu teria que vender o apartamento de minha filha e pagar ou ela financiá-lo"', explicou, afirmando que não tem relação com o Banco Master.
"Não tem nenhjuma transferência de patrimônio para mim. Não tenho nenhum negócio com o Master ou Credcesta. Nós privatizamos a rede de supermercados Cesta do Povo. E essa rede levou junto o cartão [Credcesta]. Daí para a frente, foi um negócio desenvolvido pelo banco e pelo próprio Augusto Lima", finalizou.
Segundo a Polícia Federal, um dos principais indícios levantados na investigação envolve a suposta aquisição de um apartamento de alto padrão no empreendimento Poème Horto, em Salvador.
De acordo com a decisão do ministro André Mendonça, em 26 de novembro de 2024, o Wagner enviou a Guga Lima o contato do gerente da construtora responsável pelo imóvel, informando que a unidade desejada era a de número 1702 e que o valor era de R$ 2,45 milhões. No dia seguinte, Wagner teria encaminhado o material digital do empreendimento, enquanto Lima repassou as informações a Valério Marega Júnior, identificado pela PF como operador financeiro ligado ao grupo investigado.
A investigação aponta que as tratativas sobre o imóvel continuaram nos meses seguintes. Em maio de 2025, Wagner encaminhou a Guga mensagens atribuídas a um de seus filhos solicitando os dados do proprietário formal do apartamento para a emissão do Registro de Responsabilidade Técnica (RRT), documento necessário para realizar alterações no projeto do imóvel.
Após uma ligação telefônica, Augusto Luma enviou ao senador o contato de David Lopes Monteiro, apontado pelos investigadores como integrante da estrutura responsável por operacionalizar a aquisição do bem. Para a PF, a sequência de mensagens reforça a suspeita de que o apartamento estaria registrado em nome de terceiros para ocultar seu verdadeiro beneficiário.
Além das questões patrimoniais, a Polícia Federal também vê indícios de interlocução entre Jaques Wagner e integrantes do Banco Master sobre temas de interesse da instituição financeira. A representação menciona a atuação do senador em discussões relacionadas ao crédito consignado e destaca contatos envolvendo a apresentação de emendas à PEC nº 65/2023, que trata do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Em uma das conversas citadas, Augusto Ferreira Lima encaminhou ao parlamentar o link de uma emenda logo após uma ligação telefônica de mais de nove minutos.
Outro trecho destacado pela investigação é uma mensagem enviada por Augusto a Jaques Wagner em março de 2025, durante tratativas sobre a venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). Na conversa, o empresário afirma ao senador: "Você mais do que ninguém sabe de minha história e faz parte disso".
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