Política

Julgamento de Bolsonaro: Defesa de Heleno minimiza anotações em agenda apontadas pela PF

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O advogado de Heleno argumenta que a agenda não contém conteúdo golpista e que a PF distorceu as evidências apresentadas.  |   Bnews - Divulgação Reprodução / YouTube
Daniel Serrano

por Daniel Serrano

daniel.serrano@bnews.com.br

Publicado em 03/09/2025, às 10h26 - Atualizado às 10h26



A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) retomou nesta quarta-feira (3) o julgamento contra o "núcleo 1" da organização de um plano de golpe de Estado. A sessão foi iniciada com a sustentação oral da defesa do general e ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) Augusto Heleno.

Na oportunidade, o advogado Matheus Milanez, que atua na defesa do general, disse que a agenda de Heleno, usada como prova na investigação, não tinha conteúdo golpista, mas servia como um "suporte da memória".

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"Agenda que, na verdade, não é agenda", afirmou o advogado. "Aqui eu trago uma outra explicação bem curiosa, que são outras anotações do judiciário, para mostrar como essa agenda era somente um suporte da memória do próprio general", emendou.

"Iniciamos com uma alegação da Procuradoria-Geral da República, interrogado em juízo a respeito, Augusto Heleno confirmou que essa agenda utilizada frequentemente, abro aspas, estava na minha mão quase sempre, onde eu anotava as coisas que eram de meu interesse, fecha aspas", explicou.

Milanez disse ainda que a Polícia Federal (PF) teria supostamente colocado duas páginas "como se fosse um encadeamento lógico de ideias", mas que, na verdade, "estão 100 páginas de distância uma da outra".

"Vejamos as excelências, que é curioso, porque a Polícia Federal coloca figura 33, figura 34, como se fosse um encadeamento lógico de ideias. Olha que curioso. As páginas, onde está esse rol de diretrizes, estratégicas e aquela questão de se o MJ acionara a AGU, estão 100 páginas de distância uma da outra".

Julgamento do núcleo 1 da trama golpista

A Primeira Turma do STF julga até o dia o próximo dia 12 o considerado núcleo 1 da organização que pretendia dar um golpe de Estado. Além do ex-presidente Jair Bolsonaro, o grupo  com outros sete réus:

  • Alexandre Ramagem, deputado federal e ex-presidente da Abin (Agência Brasileira de Inteligência);
  • Almir Garnier, almirante de esquadra que comandou a Marinha no governo de Bolsonaro;
  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça de Bolsonaro;
  • Augusto Heleno, ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) de Bolsonaro;
  • Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;
  • Paulo Sérgio Nogueira, general e ex-ministro da Defesa de Bolsonaro;
  • Walter Souza Braga Netto, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil no governo de Bolsonaro, candidato a vice-presidente em 2022.
  • Bolsonaro e outros réus respondem na Suprema Corte a cinco crimes. São eles: organização criminosa armada; tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito; golpe de Estado; dano qualificado pela violência e ameaça grave; e deterioração de patrimônio tombado.

Classificação Indicativa: Livre

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