Política

Lula avalia compra de novo avião presidencial bilionário, mas teme repercussão negativa

Ricardo Stuckert / PR
Aeronave presidentecial tem valor estimado entre R$ 1,4 bilhão e R$ 2 bilhões  |   Bnews - Divulgação Ricardo Stuckert / PR
Anderson Ramos

por Anderson Ramos

Publicado em 29/12/2025, às 09h59



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva estuda a compra de um novo avião presidencial, mas a decisão esbarra no alto custo da aeronave, estimado entre R$ 1,4 bilhão e R$ 2 bilhões, segundo cotações de mercado, e no potencial desgaste político em um ano eleitoral, cenário que leva aliados a desaconselharem a troca. 

Segundo o jornal O Globo, a intenção de trocar o avião decorre da insatisfação de Lula e da primeira-dama, Janja, com as limitações da atual aeronave. Além de defender um equipamento com maior autonomia para voos internacionais, mais espaço para reuniões, área vip e um quarto mais amplo, com cama, a troca é vista como um fator de segurança, após ao menos três episódios de risco em voos oficiais neste mandato.

O episódio mais recente ocorreu no início de outubro, no Pará. Segundo o próprio presidente, uma falha no motor antes da decolagem obrigou a comitiva a trocar de aeronave. A aeronave envolvida no incidente é uma das 11 unidades do modelo C-105 Amazonas operadas pela Força Aérea Brasileira.

Outro episódio constrangedor ocorreu em março deste ano, quando o avião presidencial, o Airbus A319CJ — conhecido como Aerolula — precisou arremeter ao tentar pousar no aeroporto de Sorocaba, no interior de São Paulo. Antes disso, em outubro de 2024, o Aerolula sofreu uma pane no México após a falha de uma das turbinas, componente essencial do motor.

O episódio foi a gota d’água para o presidente, que avaliou ter corrido risco de vida e reabriu o debate no governo sobre a necessidade de uma aeronave mais moderna.

Custos

O comandante da Aeronáutica, Marcelo Kanitz Damasceno, enfrenta dificuldades para levantar cotações no exterior de aeronaves que atendam às exigências do Palácio do Planalto.

A escassez desse tipo de avião no mercado internacional é um dos entraves para a compra, que pode levar meses para ser concluída em razão das especificidades de fabricação. A produção de aeronaves de luxo adaptadas para líderes mundiais é limitada e não acompanha a demanda global.

Além dos aspectos técnicos e financeiros, o fator político pesa na decisão presidencial. Aliados avaliam que, entre a compra e a incorporação efetiva da aeronave à frota, o processo pode levar meses, com conclusão apenas no segundo semestre.

 Uma ala defende que a aquisição não ocorra para evitar desgaste à imagem do presidente, candidato à reeleição no próximo ano. Outra corrente considera viável deixar a compra encaminhada para 2027. As posições contrárias à compra incluem auxiliares próximos de Lula no Palácio do Planalto e cardeais do PT. Procurados, Defesa, Aeronáutica e Palácio do Planalto não se manifestaram.

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