Política
Publicado em 19/12/2022, às 10h29 Cadastrado por Daniela Pereira
A verba que era para ser destinada a pesquisadores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) teve um destino inusitado. Segundo informações do UOL, uma manicure e um policial militar, sem qualquer vínculo acadêmico, receberam R$ 738 mil para pesquisas, em pouco mais de um ano.
Um levantamento do Uol mostrou que a manicure Marilândia de Souza Lima, 64 anos, recebeu 29 pagamentos com dinheiro público, o que contabilizou um total de R$ 378 mil. Já o marido, Joaquim Andrade dos Santos, 85 anos, ganhou R$ 360 mil.
Em nota, a Uerj afirma que Marilândia possui formação técnica completa em gestão de empresas e que Santos foi gestor de superintendência do CML (Comando Militar do Leste). "Ambos realizaram atividades presenciais e remotas" relativas aos projetos, diz a nota.
Trata-se de mais um caso do cabide de emprego da Uerj. Grupos de parentes chegaram a ganhar juntos até R$ 1 milhão em um ano, mostra investigação feita pelo UOL Notícias ao longo de dois meses.
As irregularidades do cabide de emprego da Uerj:
A universidade contratou sem qualquer processo seletivo público pessoas para receberem remunerações de até R$ 35 mil por mês (brutos) --e sem controle da carga horária desses profissionais.
A verba desviada serviria para projetos de pesquisa em áreas de Educação, Ciência e Tecnologia e Segurança Pública; R$ 335,4 milhões (93% do total pago) foram para profissionais sem vínculo com a Uerj;
Os recursos aplicados cresceram à medida que o período eleitoral se aproximou: em janeiro de 2021, eram só R$ 140 mil. Em julho de 2022, houve um pico, de R$ 57,45 milhões;
Os gastos foram realizados em folhas de pagamentos secretas, que só começaram a ser reveladas após reportagens do UOL.
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