Política
por Henrique Brinco
Publicado em 11/07/2026, às 07h52 - Atualizado às 07h59
A vereadora Marta Rodrigues (PT) criticou, nesta sexta-feira, a decisão da Prefeitura de Salvador de adquirir 24 toneladas de cação para abastecer a merenda escolar da rede municipal. O caso foi revelado em reportagem exclusiva do BNews nesta sexta-feira (10).
Para a edil, a escolha demonstra desconhecimento sobre as necessidades nutricionais da primeira infância e escancara o descaso da atual gestão com a qualidade da alimentação oferecida às crianças.
"É inadmissível que a Prefeitura faça uma escolha como essa quando existem alertas de especialistas sobre o consumo de cação por crianças. Estamos falando da carne de um tubarão, um animal que, por estar no topo da cadeia alimentar, pode concentrar metais pesados, como o mercúrio. Quando o assunto é alimentação escolar, o princípio deve ser sempre o da precaução e da promoção da saúde. Em vez disso, a gestão faz uma opção que levanta sérias preocupações do ponto de vista nutricional", afirmou Marta.
A vereadora ressaltou que a literatura científica e órgãos de saúde vêm recomendando cautela no consumo desse tipo de pescado, especialmente por crianças e gestantes, justamente pelo potencial de concentração de metais pesados.
"A merenda escolar não existe apenas para matar a fome. Ela é uma política pública de saúde, de educação e de desenvolvimento humano. A alimentação adequada influencia diretamente o desenvolvimento físico, cognitivo e emocional das crianças. Quem administra uma cidade precisa compreender isso."
Marta é autora do Projeto de Lei nº 45/2019, aprovado pela Câmara Municipal, que incentiva a oferta de alimentos orgânicos e de base agroecológica na alimentação escolar da rede municipal, fortalecendo também a agricultura familiar e promovendo hábitos alimentares mais saudáveis entre os estudantes.
Marta também cobra transparência sobre a contratação. Segundo a vereadora, além dos questionamentos sobre a escolha do produto, é necessário esclarecer quais critérios técnicos e nutricionais embasaram a compra, bem como os valores pagos pelo município.
Vale lembrar que, em algumas cidades brasileiras, como Santos (SP), o cação foi retirado da merenda escolar em razão desses riscos e da necessidade de garantir uma alimentação mais segura para os estudantes.
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