Política

“Militar só sobe em palanque no 7 de Setembro”, diz primeira presidente do tribunal militar

Antônio Cruz/Agência Brasil/Arquivo
A presidente do tribunal militar, Elizabeth Rocha, comentou sobre os atos golpistas do 8 de janeiro  |   Bnews - Divulgação Antônio Cruz/Agência Brasil/Arquivo

Publicado em 10/12/2024, às 07h11   Rebeca Silva



Em entrevista, Elizabeth Rocha, a primeira mulher eleita para presidir o Superior Tribunal Militar (STM) em seus mais de 200 anos de história,  afirmou que pretende defender a separação entre política e militarismo.

Elizabeth Rocha comentou sobre os atos golpistas do 8 de janeiro.

"Os militares têm que ficar dentro dos quartéis. Militar que sobe em palanque, é só no 7 de setembro. Então, é muito importante que a política e o militarismo não se misturem. Isso nunca funcionou no Brasil (...) Quando a política adentra nos quarteis, na caserna, a hierarquia e a disciplina podem ser corrompidas e podem sofrer rachaduras”, disse.

Durante a entrevista a Globo News, a presidente eleita do STM também se manifestou sobre os atos golpistas,  afirmando que a democracia é um projeto inacabado que precisa ser constantemente construído e vigiado. 

"Pensávamos que a nossa democracia estava consolidada, que não havia mais riscos. E, disso tudo, fica a lição de que a democracia é um projeto inacabado. Ela tem sempre que ser construída e vigiada, como a Constituição", completou.

Ao assumir o comando do STM, Rocha pretende modernizar a justiça militar,  incluindo-a no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e criando novas assessorias, como uma dedicada a gênero, raça e minorias.

"Em primeiro lugar, eu quero levá-la para o CNJ (...) Gostaria também de criar, dentro do poder judiciário, assessorias como, a primeira e inédita, assessoria de gênero, raça e minorias e uma assessoria internacional para lidar com refugiados (...) A minha defesa em favor das mulheres será contundente (...) Vivemos em uma sociedade ainda excludente, injusta e desigual. Digo, com certa alegria e com certa dor, que quebrei o teto de vidro, mas os estilhaços não caíram em mim, caíram numa sociedade patriarcal e excludente, que acha que pode determinar lugares e estabelecer locais onde os seres humanos devem ficar", afirmou.

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