Política

Lídice avisa: “Não contem comigo com a anistia”

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Durante posse em Salvador, Lídice da Mata expressa preocupação com a anistia e a situação política atual do Brasil  |   Bnews - Divulgação Leonardo Santana/BNews


Durante a posse da nova Diretoria Executiva e do Conselho Fiscal da União dos Municípios da Bahia (UPB), realizada nesta sexta-feira (28) em Salvador, a deputada federal Lídice da Mata (PSB) falou a respeito do clima de tensão que tem ocorrido com a possível prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

“Olha, o clima está muito tenso. Porque essa mobilização por anistia, enquanto o Supremo está julgando aqueles que participaram da tentativa de golpe em 8 de janeiro, é um confronto com o Supremo. É você criar uma crise institucional gravíssima no Brasil. Então, não é uma coisa menor. Eu espero que a racionalidade volte, porque isso realmente é um quadro muito difícil de se viabilizar. Além disso, eu sou contra a anistia e tenho ouvido os dados. Depoimentos dos deputados com muita serenidade, porém, nós não podemos sustentar um projeto desse com base em mentiras. A ideia de que, como dizem, houve apenas uma depredação. Ora, apenas uma depredação é diminuir o episódio que aconteceu”, afirma a deputada.

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A parlamentar também detalhou o que foi visto em 8 de janeiro de 2023.

“E esses episódios o Brasil testemunhou, o mundo testemunhou, porque há imagens ao vivo. É uma depredação organizada, uma depredação da sede dos três poderes da República. As pessoas não estavam andando, passeando para ir ao parque ou lago de Brasília. Elas estavam se dirigindo para esses prédios com o intuito claro de atingi-lo, de criar o caos e a criação do caos atingindo os três poderes da República, a sede do Executivo, a sede do Legislativo, a sede do Poder Judiciário era sem dúvida é ainda o contexto da criação de um ambiente que diz nenhum desses poderes pode mais, então nós que depredamos podemos e criaremos o nosso poder alternativo ditatorial que nenhum outro processo histórico foi diferente”, discorreu.

“É passar para o Brasil, para as novas gerações e para a população em geral, de que é possível fazer isso sempre que tiver vontade. Isso é a negação da lei, é a negação do poder, feita por gente que tinha a função de garantir a lei, de se comprometer com ela e jurou a Constituição, então não contem comigo com a anistia”, declara Lídice.

A deputada também relembrou a anistia que ocorreu no Brasil em 1979, que possibilitou que os exilados pudessem retornar ao Brasil que ainda vivia o período da Ditadura Militar.

“Olha o contexto histórico da última anistia, foi vinte anos depois, muita gente foi preso injustamente, muita gente morreu na cadeia, estava sentado naquele dia do julgamento, infelizmente a imprensa deu pouco destaque, Hugo Herzog, o filho de Vladimir Herzog, um jornalista que foi preso, torturado, até a morte, dentro das dependências da polícia e do DOI-CODI no Brasil. Estava ali na frente também a Hildegard Jones, também uma jornalista que teve seu irmão assassinado dentro das polícias, dentro da ditadura militar”

“Então essas coisas absurdas, as torturas, as mortes durante a ditadura militar, fizeram com que mais de vinte anos depois a ditadura, após um processo de mobilização intensa, reconhecesse a possibilidade de dar uma anistia votada com muito debate e polêmica no Congresso Nacional para sair uma anistia que iniciou a todos, inclusive aos terroristas, que nós nunca aceitamos isso, os terroristas, eu me refiro, os terroristas do Estado, os torturadores, o Brilhante Ustra e outros que, como ele, torturaram sob o poder do Estado”, completa.

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