Política

"Não estão nem aí para o povo", diz vereador ao criticar reação do mercado a isenção de IR até RS 5 mil

Joilson César / BNews
O vereador Augusto Vasconcelos (PCdoB) diz que mercado faz "chantagem" por não querer que ajuste fiscal atinja mais ricos  |   Bnews - Divulgação Joilson César / BNews
Davi Lemos

por Davi Lemos

davi.lemos@bnews.com.br

Publicado em 28/11/2024, às 19h56



O vereador de Salvador e presidente do Sindicato dos Bancários da Bahia, Augusto Vasconcelos, disse que a reação do mercado à isenção de Imposto de Renda para quem tem renda mensal de até R$ 5 mil é uma "chantagem" para que o ajuste fiscal recaia exclusivamente sobre as camadas mais pobres da população. O pacote de ajuste fiscal foi anunciado na noite de quarta-feira (27) pelo ministro Fernando Haddad (Fazenda). Como um dos resultados do anúncio do pacote fiscal, o dólar fechou em quase R$ 6 nesta quinta-feira (28).

"Percebam como houve uma 'gritaria' geral do mercado financeiro que não admite que o ajuste fiscal possa recair sobre suas contas. As propostas anunciadas pelo Governo, ao nosso ver, são insuficientes e lamentamos a questão sobre a política de salário mínimo, sendo necessário um debate dentro do Governo em relação a este tema. No entanto, a Faria Lima esperava um ajuste fiscal só sobre os mais pobres e, quando se anunciam algumas medidas, ainda que insuficientes, vê-se a 'gritaria' geral do mercado especulativo. Os privilegiados querem manter seus interesses e nós não podemos aceitar", afirmou Augusto Vasconcelos, em nota divulgada nesta quinta-feira.

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Fernando Haddad também apresentou o pacote de cortes de gastos do Governo Federal, aguardado pelos agentes do mercado financeiro desde o fim das eleições municipais. A ampliação da faixa de isenção do IR deve custar cerca de R$35 bilhões anuais. Para compensar essas perdas, o governo propôs aumentar a tributação sobre os contribuintes que recebem rendimentos acima de R$50 mil mensais.

"É necessário ter uma reforma do Imposto de Renda, garantindo o princípio da capacidade contributiva. Os ricos no Brasil, percentualmente, pagam muito poucos tributos. Em contrapartida, os mais pobres e a classe média acabam sendo penalizados, com uma tributação excessiva, principalmente sobre o consumo. Vemos com bons olhos essas iniciativas, vamos aguardar o encaminhamento do projeto e, durante a tramitação no Congresso Nacional, vamos batalhar para que haja uma correção mais ampla da tabela do Imposto de Renda, no intuito de garantir, pelo menos, as reposições das perdas inflacionárias que a classe trabalhadora sofreu ao longo dos períodos em que não houve essa correção", ressaltou Vasconcelos.

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