Política
A deputada federal eleita Ana Elisa Santos Silva (PT-MG) teve supostas publicações antigas atribuídas a ela compartilhadas nas redes sociais nesta quinta-feira (8), em meio à campanha de segundo turno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Os prints, que incluem mensagens sobre igrejas evangélicas, católicos, pessoas brancas e empreendedores, foram divulgados por apoiadores de Jair Bolsonaro e pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).
Ana Elisa nega a autoria de parte do conteúdo e anunciou que pretende acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para pedir a suspensão da diplomação do parlamentar.
Na quinta-feira (8), Ana Elisa desativou sua conta na rede social X após relatar ameaças de morte e estupro que, segundo ela, chegavam a cada dois minutos. A deputada federal eleita afirmou que os ataques se intensificaram após publicações de Nikolas Ferreira e disse estar vulnerável, sem contar com uma força-tarefa de segurança.
Ela também responsabilizou Gleidson e Eduardo Azevedo pela disseminação de conteúdos que considera falsos e pediu que os três fossem responsabilizados caso algo acontecesse com ela. Eles são irmãos de Cleitinho Azevedo (Republicanos), governador eleito de Minas Gerais. Gleidson Azevedo é ligado ao Republicanos e Eduardo Azevedo ao PL (Partido Liberal).
A repercussão ganhou força depois que Nikolas Ferreira compartilhou um suposto print de uma publicação atribuída a Ana Elisa, na qual ela pediria a Lula que fechasse igrejas. Na postagem, o deputado escreveu: “já virei voto demais com isso aqui”.
A mensagem que aparece na imagem, supostamente publicada em 2 de outubro de 2022, diz: “Lula eu acho mesmo que vc deve fechar as igrejas esses crente só faz merdaaaa MEU DEUS DO CÉU”.
Outras capturas de tela atribuídas à petista também passaram a circular nas redes sociais. Entre elas, há mensagens com críticas a pessoas brancas, empreendedores e integrantes de diferentes religiões, além de comentários sobre aborto, redes sociais e decisões do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Os conteúdos teriam sido publicados em diferentes momentos, entre 2022 e 2026. No entanto, como se trata de prints atribuídos a um perfil cuja conta foi desativada, não é possível confirmar a autenticidade de todas as publicações apenas com base nas imagens divulgadas.
Ana Elisa afirmou que os ataques começaram após sua entrada na campanha digital de Lula para o segundo turno da eleição presidencial. A deputada eleita também acusou Nikolas de compartilhar conteúdo falso e disse que pretende recorrer à Justiça Eleitoral.
"E o garotão de Brasília já começou a se incomodar com o fato do crescimento da campanha do presidente Lula. Já pensou se nós não estivéssemos trabalhando", disse em vídeo publicado nas redes sociais.
A deputada eleita disse que pretende acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para pedir a suspensão da diplomação do parlamentar e de pessoas que compartilhem o conteúdo atribuído a ela.
“Vou mandar pro Tribunal Superior Eleitoral, porque fake news é crime eleitoral. Nós precisamos suspender a sua diplomação e de todos aqueles que estão republicando este tipo de conteúdo”, declarou.
Ana Elisa também afirmou que não pretende continuar respondendo ao deputado até fevereiro, pois está concentrada na campanha de Lula. Segundo ela, seu advogado ficará responsável por tratar do caso. “O meu advogado não tá de férias, ele sim vai atrás de você”, disse.
A petista ainda questionou Nikolas sobre uma suposta publicação antiga atribuída a ele, na qual a Virgem Maria teria sido descrita como vítima de estupro. O deputado nega a autoria da mensagem.
Ana Elisa também afirmou que o Grok, inteligência artificial da rede social X, teria indicado que as publicações atribuídas a ela eram falsas. “Cês estão fazendo uma enxurrada de tweet contra mim, inclusive o próprio Grok já disse que todos esses tweet são mentira”, declarou.
Entre os prints que circulam nas redes sociais estão mensagens supostamente publicadas por Ana Elisa sobre diferentes temas políticos e sociais.
Uma das publicações atribuídas a ela, datada de 21 de dezembro de 2024, contém críticas a empresários e ao tratamento dado ao setor privado pelo governo Lula. O texto reproduzido na imagem diz:
“Tô nem aí pra empreendedor, empresário é essa cralhada toda, governo Bolsonaro não tava nem aí pra nós os subservientes; pq q o do Lula tem que lamber esse povo? Que se fdam da mesma forma que a gente se fudeu no governo passado”.
Outro print, supostamente publicado em 2023, traz uma mensagem sobre a possibilidade de o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, bloquear redes sociais:
“Pois eu já não vejo a hora do Xandão bloquear, Instagram, Facebook, e WhatsApp, por favor, TORNE REAL!”
Também circulam imagens de publicações atribuídas à petista com críticas ao catolicismo e aos padres que utilizam redes sociais. Uma delas, supostamente publicada em 26 de janeiro de 2024, afirma:
“Não é o catolicismo que é intolerante amg, são os membros do catolicismo, a religião não tem nada do que eles dizem, só pregam errado”.
Em outra mensagem, que teria sido publicada em 25 de abril de 2026, aparece o seguinte texto:
“Eu só quero saber quando o Vaticano vai PROIBIR padre de ter rede social? Não casar é o de menos, eles precisam começar a focar no que realmente importa, tipo os fiéis".
Há ainda um print atribuído a Ana Elisa com a frase “Se gravidez fosse bom, algum deputado já havia proibido”, supostamente publicada em março de 2026, e outro em que ela critica pessoas que apoiam a direita após assistir ao filme 'Ainda Estou Aqui'.
Até o momento, a autenticidade dessas mensagens não foi estabelecida a partir das informações disponíveis na rede social.
Nikolas compartilhou o suposto post sobre o fechamento de igrejas e afirmou que o conteúdo já o teria ajudado a conquistar votos. A publicação provocou uma reação de Ana Elisa, que contestou a autoria da mensagem e anunciou que levaria o caso à Justiça Eleitoral.
Ana Elisa passou a integrar a estratégia de comunicação digital do PT para o segundo turno da eleição presidencial, disputado entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL). A participação da deputada eleita nas redes sociais ocorreu após críticas de militantes e apoiadores do presidente à atuação digital da campanha.
Na quarta-feira (7), Lula se reuniu com uma nova geração de parlamentares da esquerda para discutir a comunicação eleitoral. Entre as preocupações apontadas por integrantes do grupo estavam a demora para responder aos adversários, a linguagem utilizada nas publicações e a dificuldade de fazer conteúdos favoráveis ao presidente alcançarem públicos além das páginas oficiais.
Ana Elisa foi eleita deputada federal por Minas Gerais com 524.216 votos. Aos 21 anos, tornou-se a mulher mais votada para a Câmara dos Deputados na história do estado, segundo as informações divulgadas sobre o resultado eleitoral.
A parlamentar eleita também relatou ameaças de morte e violência sexual durante a campanha. Em declaração divulgada na quinta-feira (8), afirmou que teve dados pessoais expostos e que os ataques se intensificaram após sua entrada na campanha de Lula.
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