Política

Operador de Daniel Vorcaro quebra o silêncio após ser alvo de ação da PF

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O consultor financeiro Ricardo Siqueira Rodrigues decidiu falar sobre sua atuação junto ao banqueiro Daniel Vorcaro  |   Bnews - Divulgação Reprodução / Youtube / Metrópoles
Davi Lemos

por Davi Lemos

davi.lemos@bnews.com.br

Publicado em 31/05/2026, às 20h00



Alvo da 8ª fase da Operação Compliance Zero, o consultor financeiro Ricardo Siqueira Rodrigues decidiu falar sobre sua atuação junto ao banqueiro Daniel Vorcaro, preso no âmbito das investigações sobre aportes bilionários do RioPrevidência no Banco Master. Em entrevista ao Metrópoles, Rodrigues afirmou ter sido contratado para auxiliar na captação de recursos de fundos de previdência estaduais e municipais, negou ter atuado como lobista e disse que pretende revelar à Polícia Federal (PF) quem seria o “dono” responsável por autorizar politicamente os investimentos do RioPrevidência no banco.

A declaração faz referência a um áudio de outubro de 2023, transcrito pela PF e incluído na representação que embasou a operação autorizada pelo ministro do STF André Mendonça. Na gravação, Rodrigues afirmou a Vorcaro que o RioPrevidência “tem um dono e esse dono precisa autorizar os caras internamente” para a compra de letras financeiras do Banco Master. Ele acrescentou: “o que eu posso fazer é dar um encaminhamento técnico. Lá [RioPrevidência] é diferente dos outros lugares, mas esse encaminhamento político tem que ser feito, porque lá tem dono, tá?”.

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Entre outubro de 2023 e julho de 2024, o RioPrevidência aplicou R$ 970 milhões em letras financeiras do Banco Master. Depois, foram destinados mais R$ 2 bilhões a fundos ligados à instituição financeira. Questionado sobre a identidade do suposto “dono”, Rodrigues disse preferir apresentar a informação primeiro à PF ou à Procuradoria-Geral da República (PGR).

“Esse dono específico, com relação ao Rio de Janeiro, eu estou aguardando aqui para poder prestar depoimento dentro dos próximos dias à Polícia Federal ou à PGR. Prefiro que essa informação seja divulgada primeiro neste depoimento lá”, declarou. Rodrigues também afirmou que o ex-governador Cláudio Castro, embora influente no processo por comandar o estado, “não era só ele que tinha influência bem elevada com relação à possibilidade ou não de liberar esses investimentos”.

Nos bastidores políticos do Rio, o nome do presidente do União Brasil, Antônio Rueda, é apontado como influente na indicação de dirigentes do RioPrevidência durante a gestão Castro, incluindo o ex-presidente do órgão Deivis Marcon Antunes, preso neste ano. Rueda, que recebeu R$ 6,4 milhões do Master por meio de um escritório de advocacia, nega interferência no instituto. Sobre o tema, Rodrigues evitou detalhar: “já escutei, assim como diversas pessoas já me falaram também a respeito disso [influência de Rueda no RioPrevidência]. Mas eu prefiro me resguardar de declinar nomes nesse momento”.

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