Política
Publicado em 01/02/2026, às 10h34 - Atualizado às 10h46 Adelia Felix e Lucas Pacheco
O presidente estadual do PSD na Bahia, o senador Otto Alencar, falou neste domingo (1º) sobre o impasse envolvendo o senador Angelo Coronel (PSD). Segundo o parlamentar, ele respeita Coronel, mas não pode submeter a vontade de centenas de prefeitos e deputados a uma aventura de neutralidade.
Neste sábado, Coronel defendeu a neutralidade do partido no estado porque se sentiu excluído da chapa governista na Bahia e queria manter sua candidatura ao Senado sem se alinhar nem ao PT nem à oposição liderada pelo ex-prefeto de Salvador, ACM Neto. Para ele, a neutralidade seria uma forma de preservar espaço político diante da formação de uma chapa “puro-sangue” do PT com os ex-governadores Rui Costa e Jaques Wagner.
“Neutralidade seria afundar o partido de uma vez só. Nenhum partido neutro vai para absolutamente lugar nenhum”, disse em entrevista à Rádio Boa FM 96,1.
Otto disse que só vai se pronunciar oficialmente quando Coronel concretizar sua saída, mas fez questão de esclarecer que nunca tomou iniciativa de expulsá-lo. “Eu nunca tomei nenhuma iniciativa de tirá-lo do partido ou defenestrar ele, como ele falou”, afirmou.
Segundo o senador, o PSD garantiu a Coronel a candidatura avulsa ao Senado, mas dentro da coligação com o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT). “Não haveria a menor condição de que o partido saísse, como se fala na proposta de ‘sair camarão’. Ou seja: sair candidato a senador, deputado federal, estadual, e não coligar com nenhum candidato a governador. Nem com Jerônimo, nem com ACM Neto”, explicou.
Otto reforçou que a maioria do partido já decidiu apoiar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jerônimo. “Eu já tinha tomado a decisão de apoiar a reeleição de Lula há muito tempo, desde o ano passado. E também nesse ano tomamos a decisão de apoiar a reeleição do governador Jerônimo. Não fui eu sozinho. Foram cinco deputados federais: Antônio Brito, Sérgio Brito, Paulo Magalhães, Gabriel Nunes e Charles Fernandes. Além de candidatos como Oziel Oliveira e Rose”, listou.
O senador também citou o apoio de deputados estaduais e prefeitos. “Dos deputados estaduais, nove, sete já declararam a aliança com Jerônimo e Lula. Dos 115 prefeitos consultados, mais de 90% querem estar na aliança com o governador Jerônimo. Ontem mesmo me ligou o prefeito de Itabuna, Augusto Castro, dizendo que quer permanecer na aliança”, relatou.
Para Otto, não há como ignorar a posição da maioria. “Eu não posso decidir o destino de tantos candidatos por uma neutralidade ou até para levar para uma aliança com o candidato da oposição ACM Neto. Eu não tenho absolutamente nada pessoal contra o candidato ACM Neto, respeito todos, mas a decisão de um presidente de partido da grandeza do PSD deve ser sempre a maioria dos seus filiados”, disse.
O senador também falou sobre a relação pessoal com Coronel. “Eu respeito muito o senador Angelo Coronel. É muito doloroso para mim estar vivendo uma situação dessa com um amigo meu. Lamentavelmente, lá no Senado eu segui o nosso projeto, a aliança com o Lula desde que me elegi; fui oposição a Michel Temer, oposição a Bolsonaro. E o senador Angelo Coronel, mais de direita, tomou decisões de apoiar o governo Bolsonaro e sempre foi crítico do governo Lula”, afirmou.
Otto reconheceu o peso da crise. “É talvez o momento mais difícil da minha vida, porque não estou decidindo daquilo que eu vou fazer, estou decidindo daquilo que a maioria quer que eu faça. Respeito muito o senador, um senador valoroso, tem muita coragem, muita personalidade e muito capaz. Mas às vezes é assim que acontece: a vida política junta e, às vezes, também por algum motivo, separa”, concluiu.
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