Política
por Anderson Ramos
Publicado em 17/06/2026, às 10h46
O senador e presidente do PSD na Bahia, Otto Alencar, rebateu as críticas do ex-aliado e também senador Angelo Coronel (Republicanos) sobre o Programa de Governo Participativo (PGP) promovido pela base governista.
Em entrevista ao programa Giro Baiana da Rádio Baiana FM (89,3) na terça-feira (16), Coronel afirmou que o PGP depende de caravanas de diversos municípios para que os eventos tenham público.
“O senador Coronel, se esqueceu que o PGP é territorial. Ou seja, se faz num município maior, como é o caso de Itapetininga, que é um município maior ali do Médio Sudoeste e outros municípios que gravitam em torno do Médio Sudoeste. Então, se faz em Itapetininga e vão as caravanas de outros municípios, com prefeitos, vice-prefeitos, vereadores, lideranças, que vão levar as informações mas quer que ele aprove o programa de governo. Ele já deve ter esquecido que em 2018 ele foi ao PGP e era assim”, disse Otto em entrevista ao mesmo programa nesta quarta (17).
Otto ainda revelou ter mágoa pela falta de compromisso do ex-aliado nas eleições de 2022. Segundo ele, Coronel não participou ativamente de sua campanha à reeleição naquele ano, ao contrário dele, que se empenhou em 2018, quando Coronel foi eleito ao Senado.
Quando ele foi candidato ele foi [ao PGP], mas na minha vez não foi em nenhum. Quando ele foi candidato, eu suei minha camisa. Quando eu fui candidato em 2022, não apareceu em nenhuma reunião. Quando ele foi candidato, rasguei essa Bahia trabalhando por ele. Quando ele não ia, eu ia pedir voto para ele, como Wagner fez”, disse o senador.
Otto lembrou um episódio que aconteceu durante a campanha de 2018, quando Coronel e Jaques Wagner (PT) eram candidatos ao Senado para reforçar a ingratidão de Coronel.
“Wagner chegou em Valença, faltava 15 dias para eleição e disse assim: ‘eu estou eleito, não preciso mais de voto, o segundo voto, vote em Angelo Coronel que é o meu candidato. Rui dizia a mesma coisa por ele e ele sabe disso”, recordou.
Para reforçar a sua decepção, Otto citou o fato de Coronel ter admitido que votou em Jair Bolsonaro (PL) para a Presidência da República em 2022, quando toda a chapa estava fechada com Lula (PT).
“O que mais me chamou a atenção, e isso é muito grave, é aquele vídeo onde ele disse que ao contrário de apertar o 13 ele teve um torcicolo e apertou o 22. Isso é a confissão da traição. Isso é inaceitável. Com os filhos dele sendo apoiados por nós. Isso não é coisa de alguém que leva a política com seriedade. Isso é coisa de quem leva no deboche, na coisa jocosa e eu condeno muito isso. Política é uma coisa muito séria. Palavra que tem que ser dada para ser cumprida. Não se brinca com o voto das pessoas”, condenou.
Provocação
Durante a entrevista, Otto Alencar ainda provocou Angelo Coronel ironizando as declarações dele sobre o apoio de prefeitos a sua candidatura à reeleição.
“Do PSD até onde eu sei, Coronel não levou um prefeito. Disse que ia levar uma quantidade grande e levou zero até agora e não vai levar, estão todos com o governador”, garantiu.
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