Política

Pastor Henrique Vieira diz que criação de bancada cristã na Câmara é 'retrocesso'

Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados
Vieira argumenta que a proposta ignora a pluralidade do cristianismo e pode abrir precedentes perigosos  |   Bnews - Divulgação Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados
Yuri Pastori

por Yuri Pastori

yuri.pastori@bnews.com.br

Publicado em 23/10/2025, às 11h43



O deputado federal Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ) criticou a criação de uma bancada cristã na Câmara dos Deputados. O parlamentar chamou a iniciativa de "retrocesso civilizatório" e "desrespeito à democracia e ao Estado laico". As informações são de O Globo.

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A Casa Legislativa aprovou na última quarta-feira (22) a tramitação em regime de urgência do projeto que cria o grupo por 398 votos favoráveis e 30 contrários. Segundo o parlamentar, a pretensão de "falar em nome do cristianismo", em um bloco que pensa de forma diferente, soa "no mínimo estranho".

A criação de uma bancada cristã que pretende falar em nome de todos os cristãos é um desrespeito à democracia, ao Estado laico, à pluralidade religiosa, à não-crença religiosa e também aos próprios cristãos. Um retrocesso civilizatório e democrático que pode abrir precedentes gravíssimos", criticou Vieira em entrevista ao portal Uol. 

Vieira argumenta que "o cristianismo é muito diverso" e "nenhuma pesquisa indica que se trata de um bloco uniforme que tem os mesmos pensamentos".

Eu sou cristão, mas não dá para dizer que na história do Brasil as liberdades cristãs foram interditadas, suprimidas ou proibidas. Até 1888, o Brasil era oficialmente católico. Mesmo depois da proclamação da República, sabemos que o cristianismo enquanto religião tem uma certa prevalência e privilégio nas estruturas de poder", explicou.

O deputado disse ainda que se licenciou do cargo de pastor, pois não está no parlamento "para transformar a tribuna do plenário da Câmara em uma extensão do púlpito da igreja".

Eu, andando com a minha Bíblia na rua, não sinto medo. Mas as pessoas com seus fios de conta e guias sofrem algum nível de hostilidade em tantos espaços. Haverá bancada do islamismo, do judaísmo, do espiritismo, das religiões de matriz africana, ou vai ser uma bancada exclusivamente cristã?", questionou.

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