Política
A Polícia Federal (PF) identificou a servidora da Câmara dos Deputados Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”, como figura central em um esquema de manipulação de emendas parlamentares atribuído ao ex-deputado Valdemar Costa Neto. A conclusão consta em relatório enviado ao STF (Supremo Tribunal Federal), que embasou o bloqueio de R$ 119,2 milhões e a suspensão de 21 emendas sob investigação.
Servidora era “personagem principal” do esquema
De acordo com a PF, Mariângela ocupava posição estratégica em um “arranjo funcional informal” criado para viabilizar indicações de emendas em nome de Valdemar, que não possui mandato parlamentar e, portanto, não poderia indicar recursos do orçamento.
O relatório aponta que ela centralizava o fluxo das emendas e executava decisões seguindo orientações atribuídas ao ex-deputado.
Celular revela “arranjo decisório paralelo”
A extração de dados do celular da servidora foi um dos principais elementos da investigação. Segundo a PF, o conteúdo revelou a existência de um “arranjo decisório paralelo” para destinação de verbas públicas.
Os investigadores destacam falta de rastreabilidade e transparência no processo de distribuição das emendas parlamentares.
Mensagens indicam ligação direta com Valdemar
Conversas encontradas no aparelho mostram que Mariângela era acionada por pessoas ligadas a Valdemar Costa Neto. Entre elas está o advogado Garigham Amarante, apontado como pessoa de confiança do ex-deputado.
Em uma das mensagens analisadas, ele informa que Valdemar pretendia destinar cerca de R$ 24 milhões para o setor de Turismo. Em seguida, segundo a PF, a servidora passa a organizar a alocação dos recursos.
Alterações para ocultar nome do ex-deputado
A Polícia Federal afirma que o papel de Mariângela incluía ocultar a participação de Valdemar nas indicações. Para isso, listas enviadas aos ministérios eram modificadas para incluir deputados com mandato como responsáveis pelas emendas.
Segundo os investigadores, a estratégia visava evitar que o nome do ex-deputado aparecesse em documentos oficiais.
Planilhas reforçam vínculo
A ligação entre Mariângela e Valdemar também aparece em planilhas apreendidas. De acordo com a PF, documentos identificavam recursos como “do Valdemar” ou “do VCN”.
O celular da servidora também registrou conversas sobre destinação de verbas. Em mensagens de agosto de 2025, interlocutores ligados ao ex-deputado pedem que ela destine “o máximo que der” para o Turismo. A partir disso, ela organiza a distribuição de cerca de R$ 24 milhões.
Outro trecho citado pela investigação mostra a servidora Nara Brum relatando dificuldades técnicas para alterar recursos e afirmando que “o Valdemar não aceitaria mudanças”.
Quem é Mariângela Fialek, a “Tuca”
Mariângela Fialek é ex-assessora do deputado federal Arthur Lira (PP-AL) e trabalhou em seu gabinete entre março de 2021 e meados de 2025. Depois, passou a atuar na liderança do Progressistas (PP) na Câmara.
Em dezembro de 2025, ela recebia remuneração bruta de R$ 23,7 mil em cargo de natureza especial.
A servidora foi alvo da Operação Transparência, deflagrada pela Polícia Federal em dezembro para investigar irregularidades na destinação de verbas públicas.
Segundo a PF, ela exercia controle de “indicações desviadas de emendas decorrentes do orçamento secreto em benefício de provável organização criminosa voltada para a prática de desvios funcionais e crimes contra a administração pública e o sistema financeiro nacional”.
Decisão do STF
Com base no relatório da Polícia Federal, o STF determinou o bloqueio de R$ 119,2 milhões e suspendeu o pagamento das emendas investigadas.
Mariângela Fialek e outros servidores são investigados por peculato-desvio e associação criminosa.
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