Política

PF aponta mensagens sobre repasse de R$ 10 milhões a amigo de Flávio Bolsonaro por parecer do MPF

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Willer Tomaz teria intermediado pagamento de US$ 7,5 milhões ligado à disputa pela Eldorado Celulose; investigação suspeita de combinação de pareceres favoráveis à Paper Excellence  |   Bnews - Divulgação Reprodução/Redes Sociais
Eduardo Costa

por Eduardo Costa

redacao@bnews.com.br

Publicado em 28/10/2026, às 08h23



A Polícia Federal identificou mensagens que indicam que o amigo de Flávio Bolsonaro (PL), advogado Willer Tomaz, intermediou um pagamento de US$ 7,5 milhões (R$ 40 milhões) à Paper Excellence por um parecer do MPF (Ministério Público Federal) a favor da empresa. A informação é da colunista Natália Portinari, do UOL.

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De acordo com a reportagem, Willer teria direito a R$ 10 milhões desse montante, pelo que indica a troca de mensagens.

O Uol procurou Tomaz, que disse que não iria comentar. A Paper também não respondeu.

No ano de 2017, a J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, vendeu a Eldorado Brasil Celulose à Paper Excellence por cerca de R$ 15 bilhões.

A Paper é administrada pela família Wijaya, da Indonésia, atuando no Brasil pela CA Investment.

A Paper adquiriu 49,41% das ações, porém, a a J&F não transferiu o controle no prazo combinado.

Ambas as empresas se acusaram de descumprir o contrato.

No ano de 2021, uma arbitragem deu razão à Paper e ordenou que a J&F concluísse a venda. A empresa entrou na Justiça de São Paulo para tentar anular a decisão, mas o caso acabou em um acordo entre as duas empresas.,

De acordo com o Uol, o procurador aposentado Antônio Carlos Simões Soares é investigado pela PF sob suspeita de combinar o conteúdo de pareceres do MPF com Tomaz.

No dia em que a empresa de Willer recebeu R$ 12,3 milhões oriundos de um contato identificado como Marc Dhabi, Soares assinou um parecer contra uma liminar que favorecia a J&F na disputa pela Eldorado Celulose.

Nas mensagens, é citado um combinado com alguém chamado "AC". A Polícia Federal interpretou que "AC" é compatível com as iniciais de Soares, então subprocurador-geral da República.

"Amigo, o cacique está informando que nos registros dele o combinado para liminar com o AC era US 7,5 (dentro desse valor tinha BRL 10 seu e para o Japonês e os outros dois era USD 500 +USD 500. Ou seja, não seja USD 10", escreveu Dhabi a Willer em 2 de abril de 2024.

"Por favor, confirme com o AC", acrescentou, oque dar a entender que "AC" tinha participado desse combinado.

O amigo de Flávio então, respondeu com com a conta "7.5 + 0,5 + 0,5?", e Dhabi confirmou. A PF não identificou o "cacique", o "Japonês" nem quem é Marc Dhabi.

O valor de R$ 12,3 milhões foi depositado à Difusora Comunicação. Quando enviou os dados da conta para Dhabi, Willer escreveu que o valor líquido, descontados os impostos, seria de R$ 10 milhões. Esse mesmo valor, conforme é descrito nas mensagens, seria dele.

O parecer de Soares foi dado em um processo do Superior Tribunal de Justiça (STF), onde a J&F havia conseguido uma liminar, decisão provisória, a seu favor.

Essa liminar travou as ações em que a J&F tentava anular a arbitragem na Justiça de São Paulo, adiando a tomada de controle da Eldorado pela Paper.

No final do dia, Soares assinou o parecer, Willer escreveu a Dhabi que "já está no site do STJ".

Após o depósito, Dhabi pediu a nota fiscal e sugeriu que o serviço fosse descrito como "elaboração de campanha de mídia".

No mês de março, Willer se ofereceu para emitir a nota por uma empresa de táxi aéreo, como "compra de horas de voo".

A oferta foi recusada por Dhabi, que escreveu que seu escritório tinha "pouca gente", que seria "muito arriscado" e que o pagamento "tem que ser via offshore", empresa aberta no exterior.

Um dia depois, ele afirmou que o dinheiro precisava ser pago em dólar, porque o "banco está na China". Alguns dias depois, Willer sugeriu um pagamento "de fora, via invoice", nome dado a uma fatura internacional, e disse que assim "a blindagem fica total".

Nesta mesma noite, Willer enviou para Dhabi uma proposta de contrato em nome da CA Investment para "atuação em todo o caso". No mês de julho de 2024, o contrato passou a ser feito pela offshore Zunway Limited, e Dhabi devolveu o documento assinado.

A PF suspeita que a Zunway foi usada para formalizar a contratação de Willer sem criar nos autos um vínculo entre ele e a CA.

A ministra Nancy Andrighi, relatora do caso no STJ,  não revogou a liminar. No mês de outubro de 2024, a magistrada concedeu razão em parte à J&F num dos recursos, contra o parecer de Soares.

A liminar deixou de valer em maio de 2025, quando a J&F comprou a parte da Paper na Eldorado e as empresas desistiram das ações.

Classificação Indicativa: Livre

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