Política

Podemos anuncia processo disciplinar contra Arthur do Val por áudios sobre mulheres ucranianas

FolhaPress

Arthur do Val disse que as ucranianas são "fáceis" de pegar por serem pobres

Publicado em 05/03/2022, às 00h30    FolhaPress    FolhaPress

Renata Abreu, presidente do Podemos, anunciou na noite desta sexta-feira (4) a abertura de processo disciplinar contra o deputado estadual Arthur do Val (SP), a quem são atribuídos áudios de teor sexista a respeito de mulheres ucranianas. "Gravíssimas e inaceitáveis são as declarações do deputado estadual Arthur do Val, que foram divulgadas na imprensa. Não se resumem ao completo desrespeito à mulher, seja ucraniana ou de qualquer outro País, mas de violações profundas relacionadas a questões humanitárias, em um momento em que esse povo enfrenta os horrores da guerra", diz a nota.

"O Podemos repudia com veemência as declarações e, com base nelas, instaura de imediato um procedimento disciplinar interno para apuração dos fatos. Até este momento o partido não havia conseguido contato com o deputado, que estava em voo", completa. Arthur do Val, o Mamãe Falei, viajou ao leste europeu na companhia de Renan Santos, líder do MBL (Movimento Brasil Livre), com a justificativa de que ajudariam a população ucraniana. Nos áudios, o pré-candidato ao Governo de São Paulo teria afirmado que as ucranianas são "fáceis" de pegar por serem pobres -e que a fila de refugiados da guerra tem mais mulheres bonitas do que a "melhor balada do Brasil".

Sergio Moro, presidenciável do partido, também criticou do Val e sinalizou ruptura com o deputado. "O tratamento dispensado às mulheres ucranianas refugiadas e às policiais do país é inaceitável em qualquer contexto. As declarações são incompatíveis com qualquer homem público", afirmou o ex-juiz, acrescentando que as falas podem ser consideradas criminosas. "Tenho uma vida pautada pela correção e pelo respeito a todos -tanto no campo público quanto na vida privada. Portanto, jamais comungarei com visões preconceituosas, que podem inclusive ser configuradas como crime", disse, em nota.

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