Política

Produtora de Dark Horse revela sofrer pressões para fazer delação premiada

Reprodução/redes sociais
Karina Gama registrou documento onde relata três investidas para firmar acordos de delação  |   Bnews - Divulgação Reprodução/redes sociais
Héber Araújo

por Héber Araújo

Publicado em 10/09/2026, às 18h47



A produtora do filme Dark Horse e dona da Go Up Entertainment, Karina Ferreira da Gama, registrou em cartório um documento onde detalha ter sofrido pressões para fazer uma delação premiada contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). A revelação foi feita pela CNN que obteve o documento de sete páginas, registrado em São Paulo no dia 4 de setembro.

No documento, Karina relata ter interesse em colaborar com as investigações por meio de sua defesa técnica, apontando ainda que chegou a ser contatada três vezes para tratar de uma delação premiada. Segundo declarou, o primeiro contato partiu de Fernando Sarney, empresário filho do ex-presidente José Sarney e dirigente da CBF.

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Conforme ela, Sarney a procurou em 20 de maio deste ano, mas a conversa só ocorreu em 22 de maio, onde o empresário “ofereceu-me apoio jurídico e afirmou possuir grande proximidade com o Ministro Flávio Dino”, oferecendo apoio com a delação. Ela apontou ainda que não manifestou interesse.

A CNN, Fernando Sarney negou o contato e afirmou que desconhece a produtora e que nunca teve contato com ela. “Não conheço a Sra. Karina Gama e jamais mantive contato com ela ou com qualquer outra pessoa sobre suposta delação premiada envolvendo a produção audiovisual ‘Dark Horse’”

Já o segundo contato ocorreu em 27 de agosto, partindo de um pastor que é amigo de Karina de longa data. De acordo com ela, o religioso afirmou ter amigos no STF e no Governo Federal e que essas autoridades pediram que o pastor a convencesse a fazer uma delação, para evitar que ela seja envolvida no caso.

“Segundo o interlocutor, se eu fizesse uma 'delação premiada', nada ocorreria comigo e eu não seria alvo de nenhuma operação policial" , escreveu ela.

Já a terceira investida ocorreu no dia 3 de setembro, através de um jornalista da revista Piauí, onde Karina afirmou que ele já havia a questionado sobre a delação e voltou a contatá-la. Nesse novo contato o jornalista teria dito que se ela não firmasse a delação ela estaria “servindo de bucha de canhão para o candidato”. Segundo ela, o comunicador deu a entender que ela poderia ser alvo de medidas judiciais se não colaborasse. A Piauí decidiu não se manifestar sobre o caso.

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