Política

Professor é demitido após dar aula com mitologia iorubá para alunos em São Paulo

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César Augusto Mendes Cruz, doutorando em História, enfrenta pressão após aula sobre a construção cultural do tempo com mitologia iorubá  |   Bnews - Divulgação Pixabay

Publicado em 18/05/2025, às 11h42   Redação



Uma aula ministrada a estudantes do sexto ano em Ilhabela, no litoral de São Paulo terminou com o pedido de demissão do professor responsável. A atividade, que usou elementos da mitologia africana e grega para explorar visões culturais sobre o tempo, gerou reações negativas por parte de um vereador local e de pais de alunos, provocando pressões internas na escola e repercussão nacional entre entidades acadêmicas.

O professor César Augusto Mendes Cruz, doutorando em História, ministrava aulas na Escola Municipal Major Olímpio, que segue o modelo cívico-militar. Durante uma das aulas, ele propôs uma reflexão sobre o tempo como construção cultural. Para isso, utilizou o mito iorubá de Irokô, que representa o tempo como entidade espiritual na tradição africana, além da figura de Cronos da mitologia grega, que devorava os filhos para evitar ser destronado.

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A aula incluiu ainda três obras de arte europeias retratando o tempo como figura masculina idosa — entre elas uma pintura de Goya — e encerrou com a música “Oração ao Tempo”, de Caetano Veloso. A aula foi alvo apesar de estar em conformidade com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e com a Lei 10.639/2003, que determina o ensino da história e cultura afro-brasileira.

Após esse episódio, o professor foi convocado para uma reunião com membros da Secretaria Municipal de Educação, sem aviso prévio, testemunhas ou acesso posterior aos registros da conversa. Ele relata ter sido pressionado e questionado por autoridades escolares sem respaldo formal. Tentativas posteriores de obter documentos oficiais sobre a reunião e reclamações recebidas não foram atendidas.

Sentindo-se exposto e sem apoio institucional, César pediu desligamento da escola. A experiência resultou em adoecimento e afastamento definitivo da sala de aula. Em sua defesa, o professor afirma que tentou promover um ensino plural e que foi vítima de perseguição ideológica. A Secretaria de Educação, por sua vez, alegou ter apenas orientado o professor sobre a linguagem mais adequada para a faixa etária dos alunos.

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