Política

Projeto social bancado com emendas de Mario Frias tinha crianças lutando sem kimono mesmo após gastos com uniforme

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Segundo a CGU, a execução do projeto Lutando Pela Vida não foi devidamente comprovada  |   Bnews - Divulgação Reprodução/ Redes Sociais
Bernardo Rego

por Bernardo Rego

Publicado em 11/09/2026, às 12h24



O projeto social Lutando Pela Vida, que dá aula a crianças que querem aprender a lutar jiu-jítsu na cidade de Pirassununga, no interior de São Paulo, foi bancado com dinheiro de emenda parlamentar do deputado federal Mário Frias, mas os alunos treinavam sem os uniformes mesmo tendo sido investido R$ 457,8 na compra dos itens. A informação consta em uma decisão do ministro Flávio Dino que determinou busca e apreensão contra o deputado.

O dinheiro era repassado ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), cuja presidente é Karina Gama, produtora do filme Dark Horse que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro. A Controladoria-Geral da União (CGU) destacou que as notas de pagamento feitas ao ICB no valor de R$ 700 mil aconteceram antes de o contrato com o Lutando Pela Vida ser assinado.

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"Extrai-se das matérias que o ICB, originalmente vinculado à realização de eventos culturais e de literatura cristã, passou a movimentar volumes significativamente maiores de recursos públicos nos últimos anos", diz um trecho da decisão.


A decisão ainda que o instrutor do projeto é o professor Rudyge Boldrini por R$ 13.700 pagos com recursos públicos e que ele teria aberto uma empresa de microempreendedorismo individual (MEI) poucos dias antes de ser contratado. A CGU aponta ainda que “a execução física do Projeto Lutando pela Vida não foi integralmente comprovada".

Busca e apreensão

Na decisão, o ministro considerou que as medidas de busca e apreensão permitirão o acesso a elementos informativos relevantes para a continuidade das investigações.

Ele determinou ainda o recolhimento dos passaportes de 29 investigados, entre eles o deputado, que estão proibidos de deixar o país sem autorização judicial e de manter contato com outros investigados. Dino lembrou que Mário Frias, em viagem internacional, retardou a prestação de informações solicitadas anteriormente. Por isso, o ministro requereu, na época, a adoção de diligências pela Presidência da Câmara dos Deputados para averiguar a regularidade administrativa de sua ausência. “O cenário público nacional, lamentavelmente, deu provas recentes de que a evasão internacional é via cogitada por alguns parlamentares brasileiros ante a perspectiva da persecução penal”, observou.

Dino também suspendeu integralmente as atividades econômicas e financeiras do Instituto Conhecer Brasil e da Academia Nacional de Cultura. As outras empresas investigadas estão proibidas de celebrar novos contratos e parcerias com o poder público, em qualquer esfera.

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