Política
Escolhido pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), para ser o relator da proposta sobre o fim da jornada de trabalho 6x1, Leo Prates (Republicanos) defende que o diálogo em torno da proposta seja “despolitizado”.
Leo Prates aponta que a ideia é elaborar um texto “a seis mãos”, com a participação de Hugo Motta e do presidente da Comissão Especial da Câmara dos Deputados sobre a PEC, Alencar Santana (PT). O deputado afirma que a orientação é compilar tudo o que foi discutido na Comissão do Trabalho em 2025, abordando, principalmente, os pontos de divergência, para dar mais robustez ao relatório.
“No ano passado foi feito um relatório em relação a um projeto da deputada Daiana Santos em que com o apoio do governo eu coloquei a transição em dois anos, isso no ano passado. Esse ano não tem nenhum ponto de decisão. Eu defendo que a minha posição será apenas uma entre 503 deputados [e] que o meu relatório não vai refletir, necessariamente, a minha opinião. Eu tenho que ter um texto que tenha 308 votos”, disse Leo Prates em entrevista ao BNews, na quinta-feira (30).
Sem impacto no salário?
O deputado baiano defende que a ideia é promover avanços para o trabalhador, trazendo a pauta da redução da jornada de trabalho sem mudanças salariais, mas que possa “minorar para o empresário os impactos” da possível alteração na legislação.
“Estou tentando fazer um texto médio. Vou tentar mitigar, reduzir os danos que possam advir à classe empresarial, mas sem nunca perder essa premissa do fim da escala 6x1 sem a redução salarial”, crava.
“Eu acho que o Brasil já teve tantas remissões que não trouxeram nenhum benefício à sociedade então eu conclamo ao governo, empresários e trabalhadores a darem as mãos para que essa pauta não seja politizada para que a gente possa ter o maior benefício social que é cuidar das pessoas. Muitas pessoas têm falado sobre a deterioração da família, isso não é pauta moral, é tempo. As pessoas precisam de tempo para se dedicar aos seus filhos”, acrescenta.
O impacto sobre as mulheres
O republicano ressalta que o fim da escala 6x1 representa um impacto positivo para as mulheres, que, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dedicam, em média, mais de 21 horas por semana a tarefas domésticas e ao cuidado de pessoas.
“Não há família sem dedicação, sem tempo. A mulher tem escala dupla, tripla, quádrupla e só tem um dia de descanso. Muitas vezes essas pessoas têm dificuldade em deixar seus filhos [em algum lugar] para trabalhar. Eu acho que nenhum tipo de esforço é muito para a gente conseguir essa conquista”, destaca.
Debate sem celeridade
Leo Prates avalia que há uma demora no próprio Congresso Nacional para que a pauta seja discutida, o que, para ele, não é “razoável”. O baiano pede um esforço maior do Governo Federal para uma possível “compensação tributária para os empresários, mesmo que de maneira temporária”.
“Eu me considero um parlamentar independente, [mas] o governo não tem culpa pelos próprios obstáculos que o Congresso coloca nele mesmo. Houve uma obstrução que é legítima e justa para quem acredita. Até hoje na Comissão do Trabalho não conseguimos votar o PL 67/2025 que começou a ser abordado no ano passado”, relata.
“Não há preço. O governo pode fazer um esforço para fazer uma compensação tributária para os empresários, mesmo que de maneira temporária. Eu acho que a gente pode fazer. O presidente Alencar Santana me disse que vai pedir para o Ministério da Fazenda nos apresentar [um estudo]. Nós vamos tentar sensibilizar o governo”, complementa.
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