Política
Uma reportagem da revista Veja dessa semana pode mudar os rumos das investigações do entorno de Jair Bolsonaro (PL). Em depoimento prestado ao ministro Alexandre de Moraes, no Supremo Tribunal Federal (STF), o tenente-coronel Mauro Cid — ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro — negou, entre outras alegações, ter mantido conversas em redes sociais relacionadas ao inquérito sobre a tentativa de golpe (assista ao vídeo abaixo). Contudo, parece que não é bem assim.
Mensagens obtidas com exclusividade pela publicação contradizem sua versão: os registros mostram que Cid afirmou ter sido supostamente pressionado e discutido a narrativa de um golpe, além de ter falado sobre medidas extremas e a figura do ministro Moraes.
Segundo os diálogos, Cid se queixou de estar sob pressão para afirmar publicamente que houve uma tentativa de golpe de Estado e chegou a sugerir que, independentemente da estratégia de defesa adotada por ele ou seus advogados, Moraes já estaria determinado a condenar não apenas ele, mas também o ex-presidente Bolsonaro e o general Braga Netto.
O conteúdo traz prints do que seria uma troca de mensagens entre o militar usando justamente um perfil de nome “Gabriela R” com alguém do círculo próximo do ex-presidente. De acordo com a publicação, o conteúdo aponta jogo duplo do delator: ele fala abertamente das longas oitivas que estava tendo de enfrentar - “Foram três dias seguidos” - e do desconforto em relação ao trabalho dos investigadores - “Toda hora queriam jogar para o lado do golpe... e eu falava para trocar porque não era aquilo que tinha dito”.
De acordo com a revista, essa narrativa bate com o conteúdo omitido em seu interrogatório, levantando suspeitas sobre a veracidade de seu depoimento ao STF. "Pelas cláusulas do acordo do ex-ajudante de ordens, se a delação for cancelada, ele volta a responder pelos mesmos crimes dos demais réus", destaca a reportagem.
Os desentendimentos entre as mensagens reveladas e o relato feito por Cid no tribunal podem ter impacto no julgamento do caso e podem gerar questionamentos sobre a legalidade de seu acordo com a Polícia Federal.
Veja o que Mauro Cid disse a Alexandre de Moraes no STF:
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