Política

Retirada de Moraes da Magnitsky enfraquece plano de Eduardo Bolsonaro; entenda

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Efeito da retirada de sanções dos EUA sobre Eduardo Bolsonaro  |   Bnews - Divulgação Lara Curcino/BNews
Bruna Rocha

por Bruna Rocha

Publicado em 13/12/2025, às 08h40



A recente decisão do governo dos Estados Unidos de retirar punições impostas com base na Lei Magnitsky contra um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e sua esposa pode esvaziar a estratégia política do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que atualmente vive no país norte-americano.

Nos Estados Unidos desde o início deste ano, o parlamentar atuou junto ao governo de Donald Trump para defender a aplicação de sanções contra magistrados e outras autoridades brasileiras, com o objetivo de interferir nas investigações que envolvem o ex-presidente Jair Bolsonaro. Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de abolir o Estado Democrático de Direito.

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A atuação contra autoridades brasileiras levou Eduardo Bolsonaro a se tornar réu no Supremo. Segundo o relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, há provas da materialidade e indícios suficientes de autoria nas condutas atribuídas ao parlamentar.

Nesse contexto, a aproximação diplomática entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem contribuído para a redução de tensões entre os dois países.

Conforme o cientista político Nauê Bernardo Azevedo, em análise ao Metrópoles, do ponto de vista do “enfrentamento” promovido por Eduardo Bolsonaro contra o STF, o recuo norte-americano tem efeito simbólico relevante.“O impacto simbólico existiu e animou a base mais inflamada. A retirada das sanções acaba sendo uma demonstração de que a influência do parlamentar sobre o governo dos EUA pode ter se esgotado”, afirmou.

Em novos desdobramentos, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), notificou Eduardo Bolsonaro sobre a abertura de procedimento administrativo que pode resultar na perda de seu mandato por excesso de faltas.

A notificação foi assinada na terça-feira (9) e publicada no Diário Oficial da União na quarta-feira (10). O documento concede cinco dias úteis para que o deputado apresente defesa por escrito, com prazo final na próxima semana.

Para o doutor em Direito do Estado pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), Renato Ribeiro de Almeida, a relação diplomática entre Brasil e Estados Unidos é marcada pelo pragmatismo. Segundo ele, tanto Lula quanto Trump são líderes experientes e adotam posturas pragmáticas em relação à política interna.

“Sanções envolvendo o ministro Alexandre de Moraes foram equivocadas e, com a retomada das negociações e da normalidade das relações históricas de mais de 200 anos entre Brasil e Estados Unidos, era natural que isso fosse revisto”, afirmou ao Metrópoles.

“Esse movimento enfraquece o extremismo do deputado Eduardo Bolsonaro e restabelece a normalidade nas relações entre os dois países, bem como uma convivência respeitosa e institucional entre seus presidentes”, concluiu o jurista.

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