Política

Retrospectiva 2025: Relembre os principais fatos que marcaram a política no Brasil e na Bahia

Pedro França/Agência Senado
O ano de 2025 foi marcado por tensões entre Executivo, Legislativo e Judiciário  |   Bnews - Divulgação Pedro França/Agência Senado
Yuri Pastori

por Yuri Pastori

yuri.pastori@bnews.com.br

Publicado em 28/12/2025, às 06h00



O ano de 2025 foi marcado pela continuidade das tensões entre os Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) e focado nas articulações para as eleições de 2026. A popularidade do governo Lula foi afetada por temas como a economia com a inflação de alimentos, fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e a crise na área da segurança pública.

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O debate sobre as prerrogativas do Congresso Nacional se intensificou, principalmente, em relação à transparência nas emendas parlamentares. No início do ano, o Congresso Nacional realizou a eleição das novas mesas Diretoras. Hugo Motta e Davi Alcolumbre se tornam presidentes da Câmara e do Senado, respectivamente.

A presidência do STF passou por uma transição e seguiu a regra da antiguidade. O ministro Edson Fachin assumiu o cargo antes ocupado por Luís Roberto Barroso para o biênio 2025-2027. No mesmo período, o governo federal realizou uma reforma ministerial para conquistar o apoio do chamado ‘Centrão’ visando as eleições de 2026.

Em agosto, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro bloqueiam a Mesa Diretora da Câmara por quase 36 horas e ocupam o Senado por 47 horas. Os bolsonaristas exigiam que a pauta de votações incluísse uma anistia para os réus por tentativa de golpe, o impeachment do ministro do STF Alexandre de Moraes e o fim do foro especial para ocupantes de cargos eletivos.

Decisões importantes aconteceram no Supremo Tribunal Federal (STF) como o debate sobre o Marco Temporal para demarcação de terras indígenas e o julgamento de ações envolvendo figuras políticas como o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado pela Corte a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.

Antes do trânsito em julgado, o ex-presidente foi preso preventivamente em regime domiciliar com medidas cautelares, como a restrição no uso de redes sociais. Após tentar violar a tornozeleira eletrônica com ferramenta de solda foi transferido para o regime fechado na Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília. Na cadeia, Bolsonaro indica o filho Flávio como seu sucessor na corrida presidencial. A candidatura enfrenta resistência de aliados e do Centrão.

A operação Sem Desconto é deflagrada pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU) em abril para apurar irregularidades no pagamento de descontos associativos a aposentados e pensionistas do INSS.

Associações, sindicatos de fachada e lobistas, como o caso do "Careca do INSS", utilizavam dados de 9 milhões de aposentados para filiá-los sem autorização, e realizavam descontos mensais diretamente no benefício. O prejuízo estimado é de cerca de R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024.

Como desdobramento da operação é instalada em agosto a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. A Comissão já resultou em prisões em flagrante de depoentes por falso testemunho e obstrução, incluindo ex-coordenadores do INSS. 

O Brasil sediou a Cúpula do BRICS, recebeu líderes mundiais e trouxe a pauta ambiental para o centro do debate com a COP 30 em Belém do Pará. Na área social, o país deixou o mapa da fome da Organização das Nações Unidas (ONU).

O presidente dos Estados Unidos Donald Trump impôs tarifas de 50% aos produtos brasileiros importados. Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, deixa o país e vai aos Estados Unidos articular com o governo norte-americano sanções contra o Brasil e autoridades brasileiras para tentar interferir no julgamento do seu pai no STF. O parlamentar se torna réu na Corte e com faltas na Câmara dos Deputados que levam a sua cassação.

A atuação do bolsonarista em terras norte-americanas repercute mal no Brasil e colabora na recuperação da avaliação do governo Lula. O petista é apontado como o líder em todos os cenários pesquisados para a disputa presidencial de 2026.

A Câmara dos Deputados decidiu manter o cargo da deputada Carla Zambelli (PL) em uma manobra de parlamentares insatisfeitos com a liberação de emendas pelo governo federal. No entanto, a parlamentar renuncia ao posto para não ser cassada.

Ela foi condenada a 10 anos de prisão pelo STF por invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) com a ajuda de um hacker. Zambelli foge para a Itália, é capturada e pode ser extraditada.

A Câmara decide suspender o mandato de Glauber Braga (Psol-RJ) por seis meses. O parlamentar escapou da cassação por agressão a um membro do Movimento Brasil Livre (MBL). Eduardo Bolsonaro e Alexandre Ramagem são cassados pela Mesa Diretora da Casa por motivos de falta e determinação do STF, respectivamente.

Em setembro de 2025, o texto da polêmica PEC da Blindagem é aprovado pela Câmara em dois turnos e barrado no Senado. A proposta, que prevê a ampliação da imunidade parlamentar e dificulta processos judiciais contra deputados e senadores, foi alvo de manifestações em todo o país.  

Depois de passar pela Câmara dos Deputados, o PL da Dosimetria é aprovado pelo Senado em dezembro deste ano e ganha os holofotes para beneficiar com redução de penas os condenados pelos atos de 8 de janeiro e políticos investigados pela trama golpista, como o ex-presidente Jair Bolsonaro. O presidente Lula sinaliza que irá vetar a proposta.

Bahia

Na Bahia, o governo estadual, comandado por Jerônimo Rodrigues (PT), teve foco na área social com grande parte do Orçamento de R$ 70 bilhões direcionado para esse setor. Temas como o analfabetismo, o desemprego, a criminalidade e o protagonismo da Bahia a nível nacional foram alvos de debate na imprensa local, principalmente, por críticas da oposição ao governo petista.

A Bahia foi apontada como líder em investimentos no país e superou outros estados mais industrializados como São Paulo. Após imbróglios nos custos do empreendimento, o Consórcio Chinês e o governo do estado celebram o contrato para a construção da Ponte Salvador-Itaparica. Uma secretaria especial é criada pelo Governo da Bahia para cuidar dos assuntos relativos ao início da obra.

A Operação Over Clean da Polícia Federal avançou em 2025 e desarticulou uma organização criminosa suspeita de movimentar R$ 1,4 bilhão em um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Na Bahia foram cumpridos mandados de busca, apreensão e prisão em cidades como Salvador, Feira de Santana e Vitória da Conquista.

A operação teve como alvos empresários e operadores financeiros baianos que utilizavam empresas de fachada e contas para ocultar a origem ilícita de recursos, muitas vezes vinculados ao tráfico de drogas e ao contrabando.

O deputado estadual Binho Galinha é apontado como o líder de uma organização criminosa que operava há mais de uma década em Feira de Santana. Após a Operação Anômico, o parlamentar ficou foragido por alguns dias e se entregou em 3 de outubro de 2025. O Ministério Público (MP-BA) apresentou novas denúncias em novembro de 2025 e revelou que o deputado continuava liderando a organização criminosa mesmo sob investigação. O Conselho de Ética da Alba ainda analisa a cassação do deputado.

Citado na Over Clean, embora não investigado, ACM Neto (União Brasil) tenta viabilizar a sua candidatura ao governo do estado em 2026 e retoma agendas no interior do Estado. No entanto, prefeitos que antes estavam do seu lado em 2022 passam a fazer elogios e anunciam apoio a Jerônimo para 2026.

Jaques Wagner (PT), Angelo Coronel (PSD) e Rui Costa (PT) travam uma disputa pelas duas vagas ao Senado na chapa governista para o pleito do ano que vem e colocam em dúvida a relação com o PSD, sigla comandada pelo senador Otto Alencar, que controla o maior número de prefeituras e garante uma base sólida para a sustentação do governo Jerônimo Rodrigues.

Salvador

Em Salvador, o prefeito Bruno Reis (União Brasil) inicia o seu segundo mandato após a vitória com mais de 78% dos votos nas urnas em 2024. O Legislativo mantém o alinhamento com o Executivo e o vereador Carlos Muniz (PSDB) foi reeleito presidente da Câmara para o biênio 2025-2026 com ampla maioria (39 de 43 votos).

O aliado de ACM Neto enfrentou em 2025 uma longa greve de professores com duração de 74 dias, que teve o seu ápice com uma intensa confusão na Câmara de Vereadores após ocupação do local pela categoria.

A sessão que aprovou o Projeto de Lei (PL) n.º 174/25, que não contemplou o cumprimento do piso salarial garantido por lei, ocorreu  a portas fechadas, fora do plenário, e foi marcada por confrontos entre os professores, guardas, policiais, e vereadores.

Em 2025, a Prefeitura de Salvador também enfrentou ações judiciais e manifestações contra a desafetação de áreas verdes e as propostas de privatização de espaços públicos da cidade como o Elevador Lacerda e a Praça Municipal. 

No mês de setembro, a Câmara aprovou atualizações da Lei de Ordenamento e Uso do Solo (LOUOS) que define o que pode ser construído em cada área da cidade. A votação foi polêmica pois ignorou recomendações do Ministério Público (MP-BA).

Bruno Reis e o governador Jerônimo Rodrigues travaram uma troca de farpas e críticas durante todo o ano, mas no mês de agosto deixaram as diferenças de lado e se reuniram para tratar de parcerias nas áreas de segurança e mobilidade.

Em dezembro de 2025, Bruno Reis sobe o tom e pede que os órgãos de controle (Tribunal de Contas e MP) investiguem a quantidade de empréstimos tomados pelo governo de Jerônimo, afirmando que o petista "passou do limite". No entanto, o gestor da capital baiana também é criticado pela oposição pelo mesmo motivo.

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