Política

Revista inglesa diz que brasileiros têm “bons motivos” para rejeitar o PT e que “família Bolsonaro buscará vingança”

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Editorial da The Economist afirma que era do PT chegou ao fim e analisa avanço de Flávio Bolsonaro no segundo turno das eleições  |   Bnews - Divulgação Reprodução
Redação Bnews

por Redação Bnews

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Publicado em 08/10/2026, às 05h45



A revista inglesa The Economist afirmou, em editorial publicado nesta terça-feira (6), que a “era” do Partido dos Trabalhadores (PT) chegou ao fim e classificou o Brasil como um país de direita após o primeiro turno das eleições de 2026. O texto analisou a ida de Flávio Bolsonaro (PL) e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o segundo turno e destacou o avanço da direita no país.

“Essa era chegou ao fim”

O editorial, intitulado “O Brasil é um país de direita agora”, avaliou que o PT dominou a política brasileira durante boa parte dos últimos 25 anos, mas que esse período teria chegado ao fim.

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“Durante a maior parte do último quarto de século, o Brasil foi dominado pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Uma aliança de esquerda composta por sindicalistas, católicos progressistas e acadêmicos construiu um amplo Estado de bem-estar social e definiu a versão latino-americana da social-democracia. Essa era chegou ao fim”, afirmou a publicação.

A revista apontou o resultado do primeiro turno, realizado no domingo (4), como parte desse movimento. Flávio Bolsonaro foi o candidato mais votado e avançou para a segunda etapa da disputa contra Lula.

Revista destaca força do PL

Apesar de apontar o crescimento da direita, a The Economist também fez críticas à família Bolsonaro. Ao tratar das perspectivas para o segundo turno, a publicação citou Flávio como herdeiro político de Jair Bolsonaro.

“Os mercados de apostas atribuem a Flávio uma grande chance de vencer o segundo turno, em 25 de outubro. É um resultado surpreendente para o herdeiro de uma dinastia de direita cujo patriarca, Jair — ex-presidente —, cumpre prisão domiciliar por tentativa de golpe”, escreveu a revista.

O editorial também avaliou que, mesmo se Flávio não vencer a disputa presidencial, o resultado das eleições representa uma vitória para a direita brasileira ligada ao movimento MAGA, sigla em inglês para “Faça a América Grande Novamente”, slogan do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A publicação destacou ainda o desempenho do PL no Congresso Nacional.

“O PL agora detém a bancada parlamentar mais poderosa desde a promulgação da Constituição brasileira de 1988. É também o maior partido nos três estados mais populosos — São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais —, que juntos geram mais da metade do PIB brasileiro”, afirmou.

Economist cita economia e Bolsonaro

Segundo a revista, a força conquistada pelo PL no Congresso poderia abrir espaço para mudanças nas contas públicas brasileiras.

“Essa força no Congresso confere ao PL uma oportunidade rara de sanear as finanças públicas do Brasil, que se encontram em situação precária. Reformular as leis que impõem níveis elevados e crescentes de gastos governamentais permitiria conter o endividamento, reduzir as taxas de juros e estimular investimentos, impulsionando assim o crescimento. Isso dá aos Bolsonaro a chance de criar um futuro econômico brilhante para o Brasil”, projetou a The Economist.

Na sequência, porém, o editorial voltou a fazer críticas à família Bolsonaro e questionou a disposição para implementar cortes de gastos.

“Isso [corte de gastos] exigiria abrir mão de gastos no presente, algo para o que os Bolsonaro demonstram pouco interesse. O cenário mais provável é o de uma política ainda mais polarizada e de pressão sobre as vulneráveis instituições democráticas do Brasil. Os vencedores celebrarão conflitos culturais ao estilo MAGA”, criticou a revista.

Revista cita promessa de Flávio sobre o pai

A The Economist também relacionou a campanha de Flávio Bolsonaro à situação de Jair Bolsonaro e às críticas de aliados ao Supremo Tribunal Federal (STF).

“A família Bolsonaro buscará vingança. A principal promessa de campanha de Flávio foi libertar seu pai. Muitos candidatos ao Senado juraram derrubar os ministros do Supremo Tribunal Federal (alguns envolvidos em escândalos de corrupção) que processaram Jair”, afirmou a publicação.

No encerramento, a revista voltou a criticar tanto o PT quanto os rumos que, segundo sua avaliação, a reação ao partido pode tomar.

“Os brasileiros têm bons motivos para rejeitar o PT, dadas as suas políticas fracassadas, sua corrupção e a falta de novas lideranças. No entanto, também têm todos os motivos para temer os rumos que essa rejeição pode tomar agora”, disse a The Economist.

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