Política

Se o agro é pop, o MST é necessário, avalia coordenadora em evento na Bahia

Rodrigo Oliveira Braga/ Bnews
O Movimento dos Sem Terra (MST) comemora 42 anos de luta neste ano de 2026, reunindo a militância de 24 estados brasileiros e delegações de 22 países.  |   Bnews - Divulgação Rodrigo Oliveira Braga/ Bnews
Claudia Cardozo

por Claudia Cardozo

claudia.cardozo@bnews.com.br

Publicado em 23/01/2026, às 17h18 - Atualizado às 18h37



Ceres Hadich, da coordenação nacional do MST, detalhou o peso estratégico deste momento. Ceres traçou um paralelo bíblico e histórico sobre o tempo de espera. "A história diz que se caminhou 40 anos para chegar à Terra Prometida. O MST já tem 42 anos de caminhada", pontuou.

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O tom de esperança, porém, carrega a sobriedade do luto. Em 2026, o movimento recorda os 30 anos do Massacre de Eldorado do Carajás. "Esperamos estar chegando ao outro lado da travessia. Quanto sangue ainda teremos que derramar para que o direito à terra seja real?", questionou a coordenadora, reforçando que o objetivo é, finalmente, consolidar a reforma agrária no país.

Vídeo: Rodrigo Oliveira Braga/ Bnews

Ao ser questionada sobre o que impede o avanço das desapropriações, Ceres não fugiu do embate político. Ela aponta uma "correlação de forças adversa" no Parlamento e a hegemonia econômica do agronegócio.

"Essa luta não é simples, não é fácil. Por isso, conquistar corações e mentes para a defesa da reforma agrária é fundamental. Hoje, temos mais de 300 entidades e sindicatos aqui. É o sinal de que não estamos sozinhos."

A Bahia foi escolhida para este encontro por ser um exemplo de organização que consegue equilibrar a pressão social com a articulação institucional. Para Ceres, a Bahia "alavanca a luta pela terra no Brasil", transformando a desigualdade histórica em mobilização popular.

Ao finalizar, a líder definiu o papel do movimento diante da narrativa do "Agro é Pop": "O MST é necessário para que a sociedade brasileira possa produzir alimentos, justiça social e, acima de tudo, humanidade", concluiu.

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