Política
por Anderson Ramos e Daniel Serrano
Publicado em 01/07/2026, às 14h50 - Atualizado às 14h51
Desejo antigo dos baianos, a Ponte que liga Salvador à Ilha de Itaparica começa a sair do papel nesta quarta-feira (1º/7). Durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao canteiro de obras da Ponte Salvador-Itaparica, em Vera Cruz, onde será fincada a primeira estaca do projeto.
O ato simbólico marcou o início oficial da etapa de construção da megaestrutura de 12,4 quilômetros de extensão, que promete reduzir o tempo de travessia entre a capital e a ilha de 1 hora para apenas 15 minutos.
Em conversa com a imprensa, o secretário do Sistema Viário Oeste Ponte Salvador-Itaparica (SVPonte), Mateus Dias, disse que a construção da Ponte Salvador-Itaparica representa a realização de um projeto aguardado há décadas pelos baianos e destacou o potencial da obra para transformar a economia do estado.
"Essa é uma obra que é um desejo de gerações do nosso povo. O primeiro plano que previa uma ponte ligando Salvador a Itaparica data ainda dos anos 1960. Foi feito pelo arquiteto Sérgio Bernardes, no plano diretor de desenvolvimento ainda do CIA (Centro Industrial). Então é uma vontade muito antiga do povo baiano, do povo da Ilha, do povo do Recôncavo, do Baixo Sul", afirmou.
De acordo com Matheus Dias, estudos apontam que cerca de 10 milhões de pessoas, distribuídas em aproximadamente 250 municípios, serão beneficiadas diretamente.
"Nós temos estudos mostrando que a população impactada por esse projeto chega a 10 milhões de pessoas, 250 municípios. Então vai ser realmente um impacto gigantesco para o desenvolvimento socioeconômico do nosso estado", disse.
Ainda segundo o secretário, o investimento estimado em cerca de R$ 12 bilhões deve gerar um retorno econômico superior a R$ 40 bilhões, impulsionando setores como turismo, construção civil, comércio e atacado.
"Agora estamos entrando na fase executiva. Então a primeira etapa era de um ano. A fase executiva agora do projeto, que é quando nós efetivamente implantamos a ponte, vai durar 5 anos, e depois, pelo nosso contrato, a gente vai ter 29 anos de operação com a concessionária. Mas é uma ponte que vai ficar aí por muito mais tempo", disse.
Ao ser questionado sobre as preocupações de moradores da Ilha de Itaparica em relação aos impactos ambientais do trajeto da rodovia de acesso, Mateus Dias garantiu que o projeto foi desenvolvido pensando em minimizar impactos sobre o meio ambiente.
"Na verdade, o trajeto foi pensado exatamente para preservar essas zonas. Se você olhar no mapa, vai ver que não é uma rodovia em linha reta, como é hoje a BA-001. É uma rodovia sinuosa, exatamente no sentido de respeitar as unidades de conservação e aproveitar o máximo possível o próprio desenho do terreno", declarou.
"A ideia é que ela funcione como uma barreira para que o desenvolvimento urbano não vá para o ponto mais sensível dos ecossistemas da Ilha de Itaparica, que é exatamente a contracosta, onde temos os manguezais. É uma região muito mais sensível, muito menos ocupada e que pretendemos preservar com o desenvolvimento do projeto", concluiu.
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