Política

Sem ‘caça a marajás’ em 2026: pela primeira vez no século, Fernando Collor não disputará eleições estaduais

Fernando Collo na época de senador - TV Senado
Após décadas no cenário político alagoano, Collor está em prisão domiciliar e não terá candidato da família nas urnas neste ano  |   Bnews - Divulgação Fernando Collo na época de senador - TV Senado
Eduardo Costa

por Eduardo Costa

redacao@bnews.com.br

Publicado em 23/08/2026, às 10h00



Pela primeira vez no século as eleições de Alagoas não terão Fernando Collor ou algum sucessor do ex-presidente.

Figura folclórica do eleitorado alagoano, Collor disputou todas as eleições estaduais ou federais, tendo se registrado apenas 28 dias antes da votação de 2006 e desistido das eleições de 2018.

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Atualmente, o ex-presidente cumpre prisão domiciliar em uma luxuosa cobertura na orla de Maceió.

Antes de ser presidente Collor foi prefeito de Maceió entre 1979 e 1982 e, três anos depois de deixar o cargo, foi eleito deputado federal pelo PDS (Partido Democrático Social), assumindo no ano seguinte. 

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Collor ganhou as eleições para governador de Alagoas em 1986 pelo PMDB, ficando no cargo em 1987 e 1989, quando disputou à Presidência.

Collor se popularizou com o discurso de "caçador de marajás", oque fez ser eleito presidente em 1989, nas primeiras eleições por voto direto após a ditadura militar (1964-1985).

No entanto, Collor não chegou a cumprir o mandato completo, sofrento impeachment em 1992, após denúncias de corrupção feitas pelo próprio irmão, Pedro Collor, que morreu em 1994 de um câncer no cérebro.

Ele chegou a tentar ser candidato a prefeito de São Paulo, porém, eve o registro de candidatura cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

De volta ao seu estado natal, Collor se lançou candidato ao governo de Alagoas, fazendo uma campanha focada na "injustiça" que teriam cometido contra ele. No entanto, o ex-presidente foi derrotado ainda no primeiro turno pelo então governador Ronaldo Lessa.

Collor retornou às urnas oito anos depois, desta vez, tentando a vaga ao Senado. Enfrentando novamente Lessa e com apenas oito dias de campanhas, Collor foi eleito senador de Alagoas.

Na volta a Brasília, Collor chorou durante e constrangeu senadores que, em outro momento, aprovaram seu impeachment.

Collor tentou em 2010 ser governador de Alagoas, novamente tendo Lessa pelo caminho, mas também enfrentando o então governador Teotonio Vilela Filho (PSDB). Ele foi derrotado no primeiro turno.

Ele não foi candidato nas eleições municipais de 2012, porém, na campanha a prefeitura de Atalaia, fez oposição a chapa de Fernando Lyra, seu sobrinho e filho de Pedro Collor, que era candidato a vice-prefeito.

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Collor foi candidato à reeleição para o Senado em 2014, sendo reeleito com 55,59% dos votos. Neste ano, ele foi absolvido pelo Superior Tribunal Federal (STF), que argumentou falta de provas no julgamento sobre acusações da época em que era presidente.

Se engana quem pensa que a partir daí Collor teve vida fácil. Com a chegada da Operação Lava Jato, o então senador viu seu nome voltar a ser alvo de novas acusações de corrupção, que culminaram em sua condenação no STF a 8 anos e 10 meses de prisão, dez anos depois.

Tentou sair candidato ao governo de Alagoas em 2018, porém, o meio da disputa, disse que não tinha recebido os apoios esperados e renunciou à candidatura no dia 18 de setembro. 

Voltou a tentar ser senador em 2022, desta vez, declarando apoio a Jair Bolsonaro. No entanto, o então presidente e candidato à reeleição não foi recíproco e não declarou apoio a Collor. O ex-presidente não foi eleito.

O sobrinho de Collor, Fernando, tentou ser vereador de Maceió em 2024, no entanto, não foi eleito.

Collor foi preso em abril de 2025 e enviado ao presídio Baldomero Cavalcante. No entanto, pouco tempo depois, passou a cumprir prisão domiciliar por conta de transtorno bipolar, Parkinson e apneia do sono.

O ex-presidente foi condenado por corrupção passiva e lavagem de recursos por recebimento e ocultação de R$ 20 milhões em propina paga em contrapartidas a contratos celebrados pela UTC Engenharia com a BR Distribuidora.

Classificação Indicativa: Livre

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