Política

Senador bolsonarista protocola pedido de impeachment contra Paulo Gonet; veja

Lara Curcino / BNEWS
Eduardo Girão argumenta que PGR falhou em proteger a Constituição e critica a atuação do STF, especialmente de Alexandre de Moraes.  |   Bnews - Divulgação Lara Curcino / BNEWS

Publicado em 27/03/2025, às 13h15   Humberto Sampaio, direto de Brasília, e Daniel Serrano



O líder do Novo no Senado, Eduardo Girão (CE), protocolou na Casa um pedido de impeachment contra o Procurador-Geral da República (PGR), Paulo Gonet. Com exclusividade ao BNews, o parlamentar disse que o procurador foi "omisso" diante do que chamou de "abusos" praticados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em particular o ministro Alexandre de Moraes.

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“Simplesmente em respeito à Constituição brasileira, obedecendo a lei, cumprindo o meu trabalho. O meu trabalho, não apenas do meu mandato, mas de outros 10 senadores que se posicionaram com relação à explícita violação que nós tivemos do Procurador Paulo Gonet, que deveria ter independência, ser o chefe, o Procurador-Geral da República. Ele era para estar à frente, mostrando a autonomia, respeitando o devido processo legal que está no nosso ordenamento jurídico, mas não”, disse.

Entre os pontos citados por Girão estão as delações do ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, Mauro Cid, que foram usadas pelo PGR na elaboração da denúncia contra o ex-presidente e aliados

“A gente percebe a narrativa que é feita nesse momento, e a gente viu quando o Paulo Gonet estava presente junto com o ministro Alexandre de Moraes, numa audiência, fazendo ali uma inquirição para o Coronel Mauro Cid. E no momento o ministro Alexandre de Moraes, que não deveria estar lá, pelo nosso ordenamento jurídico, ele que se diz vítima”, disse o parlamentar.

“Então, aquilo ali, o Procurador-Geral da República assistir, já deveria ter dito: ‘olha, o ministro Alexandre de Moraes, o senhor não pode estar aqui, o senhor é vítima’. Já no básico inquérito do fim do mundo aí, com seis anos que completou, de forma arbitrária, completamente arbitrária, ainda existe essa violação”, emendou.

O parlamentar também pediu para o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), não engavetar o pedido de impeachment contra Gonet, como fez com documentos contra ministros do STF.

“Então, nós entramos com esse pedido, e esperamos que seja avaliado pelo presidente do Senado, que ele não engavete, como ele fez, desde a primeira gestão dele, com dezenas de pedidos de impeachment de ministros. Nós estamos vivendo esse caos no Brasil hoje, pela omissão do Senado da República desse país”, disparou.

O senador cearense também defendeu Bolsonaro, que se tornou réu na última quarta-feira (26) por tentativa de golpe de estado. Girão segue a argumentação comum entre os bolsonaristas e repete que Bolsonaro é "vítima de perseguição política".

“Nós tivemos, no passado muito recente, golpes feitos na República, que tiveram documentos assinados. Um deles foi aqui no Senado Federal. O Lewandowski, que hoje é o Ministro da Justiça, que era o presidente do Supremo Tribunal Federal, que esfacelou, que fatiou o que está na Constituição de forma muito clara, que a Dilma, recebendo impeachment, perderia seus direitos políticos durante oito anos, e se afastaria da presidência, e ele inventou isso na hora. E o que foi que aconteceu? Todo mundo viu no Brasil. Rasgaram a Constituição, teve ali um golpe com o povo brasileiro”, disse.

“Então, o golpe vem sendo sistematizado. A população, no dia 8 de janeiro, e aí as imagens não foram mostradas pra gente ver quem quebrou realmente, porque parece que não foi preso quem quebrou. Prenderam gente que estava na praça. Prenderam gente que não entrou nem no Senado, nem na Câmara, nem no Palácio do Planalto, nem no STF. [...] O que está acontecendo é pura narrativa, não para em pé. E a história vai mostrar isso. A população brasileira já entendeu que o dia 8 de janeiro foi uma armadilha”, finalizou.

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