Política

'Tarcísio de vez em quando comete uns deslizes', diz Bolsonaro em live

Wilson Dias/Agência Brasil
Bolsonaro afirmou que Tarcísio não deve ser julgado por apoiar um candidato que os eleitores acham que não merece ser endossado.  |   Bnews - Divulgação Wilson Dias/Agência Brasil

Publicado em 21/09/2022, às 21h35   Renato Machado/ FolhaPress



O presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou nesta quarta-feira (21) que o candidato que apoia para o governo de São Paulo, o ex-ministro Tarcísio de Freitas (Republicanos), comete "alguns deslizes" por ser um novato na política.

Sem citar o nome do ex-presidente e senador Fernando Collor (PTB-AL), Bolsonaro afirmou que Tarcísio não deve ser julgado por apoiar um candidato que os eleitores acham que não merece ser endossado.

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Na semana passada, um vídeo de apoio gravado por Tarcísio para Fernando Collor, que disputa o governo de Alagoas, tornou-se munição para os seus adversários ao ser veiculado nas redes sociais.
Além disso, em outro episódio, o ex-ministro da Infraestrutura passou a ser criticado por bolsonaristas por ter manifestado apoio à jornalista Vera Magalhães –desafeto do presidente– após ela ter sido atacada durante debate de candidatos ao governo estadual paulista.

No vídeo de apoio ao alagoano, vestido de verde e amarelo, Tarcísio dá os parabéns a Collor, a quem elogia como "um dos maiores políticos que já tivemos".

Como vem fazendo em suas transmissões nas redes sociais, Bolsonaro passou estado por estado indicando os candidatos que apoia e pedindo voto. Ao chegar em São Paulo, citou Tarcísio e então afirmou que alguns deslizes são resultado de sua falta de experiência.

"São Paulo: 10, nosso capitão, o rei do asfalto. Entrou na política porque eu o convenci, não queria entrar na política. Tomou gosto. De vez em quando comete uns deslizes, porque ele é novato na política ainda. Não deve ser julgado por uma palavra, o apoio de uma pessoa que você acha que não deve ser apoiado", afirmou o presidente da República.

Ao citar seus preferidos em Alagoas, Jair Bolsonaro não citou Fernando Collor.

O vídeo de apoio de Tarcísio a Collor tem sido compartilhado com frequência nas redes sociais, em um momento que o candidato de Bolsonaro enfrenta dificuldades para chegar ao segundo turno.

Pesquisa Datafolha mostrou que Rodrigo Garcia (PSDB) passou de 15% para 19%. Tarcísio variou dentro da margem de erro, de 21% para 22%. Já o petista Fernando Haddad oscilou de 35% para 36%.
"Olá, povo de Alagoas. [...] Queria mandar um abraço especial para o nosso Fernando Collor, candidato a governador e para o Leonardo Dias [PL], seu candidato a vice. [...] Tenho certeza que essa dupla vai estar unida com o presidente Bolsonaro, vai fazer a diferença pelo Estado de Alagoas", diz Tarcísio no vídeo.

"Fernando Collor é um dos maiores políticos que nós já tivemos. [...] Deixou um grande legado, que foi a abertura econômica. Graças a ele começamos a andar a passos largos na direção da modernização, trazendo empresas de fora, conseguimos superar o atraso tecnológico e nós demos um salto em termos de crescimento", continua o ex-ministro, que termina dizendo torcer por ele e "que Deus o Abençoe".

Empatado tecnicamente com Tarcísio em segundo lugar, Garcia foi um dos que criticou o apoio do rival a Collor. "Não queremos o Collor, que confiscou o dinheiro dos brasileiros, dando palpite aqui em SP. Minha referência na gestão pública é o Mario Covas [PSDB], e SP precisa de um governador independente", publicou.

A campanha de Tarcísio já vinha sendo criticada após o ataque do seu correligionário, o deputado estadual Douglas Garcia, à jornalista Vera Magalhães. Tarcísio depois condenou a ação do deputado estadual paulista e manifestou apoio e solidariedade à jornalista. Por isso, passou a ser criticado nas redes sociais por apoiadores do presidente da República.

Em outro momento da transmissão, Jair Bolsonaro comentava seus candidatos no Rio de Janeiro e evitou declarar apoio para o senador Romário (PL-RJ), de seu partido, que busca a reeleição.

"A disputa pelo Senado está mais ou menos aparelhada lá. Mas a gente espera que o PSOL não vença, o que seria uma tragédia. Então, mais tarde um pouquinho, a gente decide por um nome ao Senado pelo Rio de Janeiro", afirmou o presidente.

O bolsonarista Daniel Silveira (PTB) teve sua candidatura barrada pelo Tribunal Regional Eleitoral, mas deve recorrer da decisão.

No Rio Grande do Sul, Bolsonaro declarou apoio para o seu vice Hamilton Mourão (Republicanos) e pediu um "voto útil" nele, para evitar que adversários vençam o pleito.

"Tem gente que tem simpatia por outro candidato. Peço que vote em alguém afinado conosco. E tem gente ai que a gente sabe que não tem chance, às vezes atrapalha, tira voto de quem pode chegar", afirmou.

O presidente Jair Bolsonaro também disse que deve realizar uma grande motociata em Brasília, no dia 1º de outubro, vésperas das eleições. Ele afirma que o objetivo seria dar uma "cor" e assim repercutir em outras regiões.

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