Política
por Thiago Teixeira
Publicado em 20/02/2026, às 15h00 - Atualizado às 15h05
O pedido do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU) para que fosse aberta uma investigação para identificar as autoridades públicas federais que teriam participado de festas na casa de veraneio do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, em Trancoso, no Sul baiano, foi rejeitado pelo TCU.
O Ministério Público demonstrou preocupação com o envolvimento de autoridades federais representar um risco sistêmico para a confiança nas instituições públicas, argumentando, no último dia 29 de janeiro, que "a situação levanta preocupações sobre possíveis irregularidades e impactos na administração pública, especialmente considerando o envolvimento de autoridades federais".
No entanto, o Tribunal de Contas da União decidiu arquivar o caso por entender que o MPTCU "não trouxe evidências para as supostas irregularidades". Documentos obtidos com exclusividade pelo BNews mostram que o TCU sequer reconheceu a documentação enviada por julgar que ela não atendeu aos requisitos de admissibilidade previstos no Regimento Interno do Tribunal.
Em documento assinado no último dia 6 de fevereiro, o órgão ainda destacou que, ao analisar os argumentos trazidos pelo MP, não se verificou a presença de interesse público. Diante disso, a Corte de Contas decidiu arquivar os autos ao afirmar que "a representação não está acompanhada de indício concernente às irregularidades apontadas pelo autor, conforme exige o art. 235 do Regimento Interno do TCU".
Ademais, a representação não trata de matéria de competência do TCU, requisito também previsto no art. 235 do Regimento Interno, pois não apresenta qualquer evidência de ato relacionado à gestão de recursos públicos federais nas circunstâncias narradas", dizia um trecho do documento.
O pedido do Ministério Público junto ao TCU fez o pedido com base em reportagens e documentos que apontavam a realização de eventos privados atribuídos a Vorcaro, conhecidos nos bastidores como "Cine Trancoso", que teriam reunido autoridades dos Três Poderes, executivos do sistema financeiro e políticos em encontros restritos na residência localizada no litoral baiano.
Segundo a representação, o temor do órgão era de que a eventual presença de agentes públicos em ambientes privados de luxo — potencialmente associados a interesses econômicos e financeiros — pudesse comprometer a confiança institucional ou abrir margem para tráfico de influência.
Investigações e processos judiciais indicam que as festas ocorreram inicialmente quando o imóvel ainda era alugado por Vorcaro e, posteriormente, após sua aquisição por empresas ligadas ao banqueiro. Mensagens anexadas a ações judiciais mostram que a antiga proprietária chegou a reclamar do excesso de convidados, música alta e da presença de mulheres contratadas para os eventos.
Avaliada em mais de R$ 300 milhões, a Casa Villa 21, localizada na Praia dos Nativos, conta com suíte master de 400 metros quadrados, piscina privativa, academia, salão de beleza, espaço gourmet, sala de leitura, terraço para observar as estrelas e tem diárias de R$ 95 mil em baixa temporada.
Os relatos descrevem um padrão de ostentação:
Por meio de nota encaminhada à imprensa, a defesa de Vorcaro tem sustentado que as acusações se baseiam em interpretações morais e em relatos sem comprovação jurídica, afirmando que eventos privados entre adultos não configuram irregularidade por si só.
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