Política
A tradicional Lavagem do Bonfim é um dos mais antigos termômetros de popularidade da política baiana. A presença das autoridades nos festejos é sempre algo marcante. Segundo o cientista político João Vilas Boas, esse é o momento em que autoridades deixam o ambiente controlado dos gabinetes e são expostas à rua, onde a avaliação popular se manifesta de forma espontânea.
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Embora seja essencialmente um evento religioso, acaba se convertendo no primeiro grande 'comício' informal do ciclo eleitoral. Não há palanque, mas há disputa por espaço, leitura de ambiente e teste de força política. A reação do público, seja por meio de aplausos, vaias, silêncio ou hostilidade, se transforma imediatamente em ativo ou passivo político”, explica Vilas Boas.
Para o especialista, a história recente mostra como esse ritual antecipa mudanças de cenário. O cientista político cita o contexto eleitoral de 2006, já que alguns especialistas tem avaliado que o processo eleitoral deste ano pode ter similaridades com aquele ano.
No período pré-2006, a presença de Jaques Wagner na Lavagem passou a ser observada como sinal de que a esquerda, pela primeira vez, começava a disputar hegemonia real na Bahia, até então sob forte domínio do carlismo. A naturalidade com que Wagner circulava no cortejo foi interpretada por analistas, à época, como indício de um ambiente político em transformação, leitura que se confirmou com sua vitória surpreendente ainda no primeiro turno das eleições”, analisa.
Vilas Boas acredita que para os atores políticos, a Lavagem do Bonfim não se resume a fé e tradição. Os festejos são, sobretudo, leitura de cenário, teste de popularidade e sinalização antecipada do que pode se refletir nas urnas em outubro.
Neste ano, alguns elementos tornam essa leitura ainda mais relevante. O prefeito Bruno Reis, que venceu a eleição com expressivos 78% dos votos válidos, chega à Lavagem após pesquisas recentes indicarem queda na avaliação do seu governo”, pontua.
O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União) anunciou, recentemente, aumentos na tarifa de ônibus, IPTU e taxa de lixo da capital baiana, o que pode fazer com que ele seja alvo de protestos e manifestações no cortejo.
Vilas Boas lembrou ainda que o embate entre os pré-candidatos ao governo da Bahia ACM Neto (União) e Jerônimo Rodrigues (PT) pode ser antecipado.
Ao mesmo tempo, o embate entre ACM Neto e Jerônimo Rodrigues tende a se manifestar de forma indireta, na comparação de capital político com o tamanho das comitivas e o grau de acolhida popular”, avalia o cientista político.
João Vilas Boas acredita que, certamente, o senador Angelo Coronel (PSD), que disputa uma das duas vagas na chapa governista para o Senado em 2026 com os ex-governadores da Bahia Rui Costa e Jaques Wagner, ambos do PT, também deve dar uma declaração mais ácida, como de costume.
Somam-se a esse cenário, as possíveis declarações mais duras do senador Angelo Coronel, que tem se mostrado publicamente insatisfeito com a falta de espaço na formação da chapa governista para 2026”, finaliza.
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