Política
por Antonio Dilson Neto e Alex Torres
Publicado em 21/08/2026, às 15h13
Um dia após a confusão que terminou com agressão de estudantes na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Salvador, o presidente do Centro Acadêmico Vladimir Herzog, Tobias Muniz, contou ao BNews detalhes do episódio e criticou a atuação do deputado estadual Diego Castro (PL).
Nesta sexta-feira (21), estudantes realizaram um protesto no campus de Ondina contra a presença do parlamentar e a forma como ele conduziu a situação na quinta-feira (20). Viaturas da Polícia Federal acompanharam a manifestação.
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Tobias afirmou que Diego Castro chegou à universidade acompanhado de seguranças e usando colete à prova de balas. Segundo o estudante, o deputado também levou materiais de campanha para a Faculdade de Comunicação e passou a gravar vídeos no local.
Durante a ação, o parlamentar teria registrado imagens de um banheiro feminino. Tobias disse que decidiu questionar a postura do deputado por considerar que a atitude ultrapassava os limites de sua atuação na universidade.
Deputado, vá cuidar da Bahia. Você agora virou fiscal de banheiro público?”, relatou Tobias ao BNews sobre o que disse ao parlamentar.
Segundo o estudante, após o questionamento, começaram as discussões e as acusações contra integrantes da comunidade acadêmica.
Foi uma conduta muito autoritária, muito invasiva, desrespeitosa e, sobretudo, violenta”, afirmou.
Diego Castro afirmou que foi à Faculdade de Comunicação após receber uma denúncia sobre a presença de adesivos de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao governador Jerônimo Rodrigues (PT) nas dependências da universidade. O deputado retirou parte dos materiais e registrou imagens da ação.
Tobias, entretanto, contesta a justificativa. Segundo ele, não havia material de campanha instalado na estrutura da Faculdade de Comunicação.
O deputado apresenta essa motivação, mas isso não procede com relação à Faculdade de Comunicação. Não temos nenhum material de campanha preso em nossa estrutura”, afirmou.
Para o presidente do Centro Acadêmico, os materiais apresentados pelo parlamentar não pertenciam à faculdade.
“Tudo isso foi criado para justificar a invasão do espaço, de maneira ostensiva praticada por ele”, disse.
A UFBA afirmou que Tobias foi empurrado por um integrante da segurança que acompanhava o deputado e ficou ferido. A universidade também repudiou os episódios de violência, intimidação e desrespeito registrados na Faculdade de Comunicação.
A advogada Maria Hortênsia, que representa Tobias, afirmou que pretende levar o caso às esferas cível e criminal.
A defesa também pretende procurar a Assembleia Legislativa da Bahia para questionar a atuação de Diego Castro, já que o parlamentar afirmou que estava na universidade no exercício do mandato.
É preciso que a instituição também responda pelo que aconteceu, pela conduta do deputado aqui e se posicione. Isso não é admitido numa democracia”, afirmou.
Segundo a advogada, o caso envolve não apenas violência política, mas também agressão física contra o estudante. “Ele foi agredido, isso está gravado. Se o deputado tem qualquer outra versão, eu acho que contra um vídeo você não tem, de fato, outro argumento”, declarou.
Maria Hortênsia também criticou a presença de seguranças profissionais durante o episódio e afirmou que a defesa vai buscar medidas para proteger a integridade física e moral de Tobias.
A manifestação desta sexta-feira ocorreu um dia depois do tumulto na Faculdade de Comunicação. Estudantes se reuniram no campus de Ondina para protestar contra a atuação do deputado e repudiar a violência registrada durante a confusão.
O episódio também provocou reação institucional da UFBA. A universidade informou que registrou boletim de ocorrência e que Tobias passou por exame de corpo de delito após ser empurrado por um integrante da segurança do parlamentar.
A Assembleia Legislativa da Bahia também iniciou apuração sobre a conduta do deputado, segundo informações divulgadas após o episódio.
Diego Castro afirma que foi ao local para verificar uma denúncia recebida por estudantes e sustenta que ele e integrantes de sua equipe também foram agredidos durante o confronto.
O parlamentar registrou um boletim de ocorrência na 7ª Delegacia Territorial e afirmou, em publicação nas redes sociais, que sua equipe reagiu depois de ser atacada. Ele também questionou a utilização de uma universidade pública para a divulgação de material político-eleitoral.
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