Política

TRETA! Aliados de Bolsonaro divergem sobre anistia e dosimetria após condenação no STF

Alan Santos/PR
Aliados de Bolsonaro veem a dosimetria como traição, enquanto a base se mantém unida em torno da anistiA  |   Bnews - Divulgação Alan Santos/PR
Bruna Rocha

por Bruna Rocha

Publicado em 27/09/2025, às 13h40



Diante das divergências entre os defensores da anistia e da redução de pena (dosimetria), uma ala próxima ao Partido Liberal (PL) tenta convencer os demais aliados de Jair Bolsonaro de que a dosimetria seria a melhor solução. O ex-presidente foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e 3 meses de prisão, acusado de liderar uma organização criminosa e tentar abolir o Estado Democrático de Direito.

Segundo interlocutores, os filhos de Bolsonaro, os deputados Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ), são contrários à ideia de redução de pena. Eles defendem a anistia total como única saída aceitável para o líder da direita.

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, tem sido apontado como peça central em uma suposta articulação de “jogo duplo”. Na quarta-feira, ele se reuniu com Bolsonaro e teria tentado convencê-lo a aceitar um projeto de dosimetria. Internamente, Valdemar vem sendo criticado por integrantes da legenda, que o consideram “pouco incisivo” na defesa do ex-presidente.

Em entrevista ao O Globo, Valdemar declarou: “Redução de pena não é o melhor caminho. Anistia é anistia. Redução de pena é só mudar a lei penal. Se houver acordo, aprovamos em dois dias.”

Entre os aliados mais próximos de Eduardo Bolsonaro, a avaliação é de que a movimentação em favor da dosimetria soa como uma traição. Esse sentimento tem sido reforçado por Fábio Wajngarten, ex-ministro e braço direito de Bolsonaro, que tem afirmado que tais negociações “acontecem sem autorização do presidente” e chegou a chamar de “malucos” os que insistem nesse tipo de articulação.

A leitura no núcleo bolsonarista é de que há uma tentativa de “plantar desânimo” dentro do partido, mas que a base segue unida em torno da defesa da anistia.

“Precisamos votar a anistia. Com relação à dosimetria, ele [Bolsonaro] tem o mesmo pensamento que eu: não cabe ao Congresso Nacional, cabe ao Poder Judiciário. Poderíamos buscar alteração de pena, mas não é nossa intenção fazer esse debate neste momento. Queremos votar a anistia”, afirmou o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do partido na Câmara.

Apesar dos conflitos internos, as propostas de redução de pena ou anistia para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro e na tentativa de golpe ainda estão em fase de elaboração do texto.

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