Política
Publicado em 25/02/2025, às 06h59 - Atualizado às 08h53 Rebeca Santos
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou as grandes empresas de tecnologia, conhecidas como big techs, e o uso de redes sociais para "atacar os pilares da democracia".
A declaração foi feita durante um discurso, na última segunda-feira (24), em São Paulo, em um momento em que empresas do setor têm reagido a medidas determinadas por ele.
Moraes é alvo de ações judiciais nos Estados Unidos movidas pela plataforma de vídeos Rumble e pela Trump Media & Technology Group, empresa do presidente Donald Trump.
Sem mencionar casos específicos, o ministro aproveitou a aula inaugural dos novos estudantes da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), onde leciona, para condenar o que chamou de "novo populismo digital extremista".
Ele relacionou o uso de algoritmos a uma tentativa de golpe de Estado no Brasil em 2022. Moraes é o relator do processo em que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por supostamente liderar uma organização que buscava a ruptura institucional no país, com o objetivo de impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
"As big techs não são enviadas de Deus, como alguns querem, não são neutras. São grupos econômicos que buscam dominar a economia e a política mundial, ignorando fronteiras, a soberania nacional de cada país e as legislações, tudo para obter poder e lucro", afirmou Moraes. Ele acrescentou que essas empresas distorcem conceitos como democracia e liberdade. "Liberdade para fazerem o que querem, porque são os maiores grupos econômicos do mundo", destacou. E concluiu: "Democracia é um negócio, dizem as big techs. Porque tudo para elas é dinheiro, é negócio: 'Assim como vendemos carros, vamos vender candidatos'."
Após a aula, o ministro não atendeu a imprensa. Antes de sua fala, quando seu nome foi anunciado, uma integrante da mesa de honra se manifestou contra uma eventual anistia a Bolsonaro e seus aliados. A presidente do Centro Acadêmico XI de Agosto, Júlia Pereira Wong, ergueu um cartaz com a frase "sem anistia" e repetiu a expressão em voz alta.
Outros cartazes espalhados pelo auditório, onde estavam os alunos da nova turma, também criticavam a possibilidade de perdão aos envolvidos em ataques ao Estado Democrático de Direito e pediam "Bolsonaro na prisão".
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