Política

Visita de Lula à Favela do Moinho foi articulada com organização ligada ao PCC

Agência Brasil
Durante o evento, Lula e Janja visitaram a favela e tiraram fotos com representantes da Associação  |   Bnews - Divulgação Agência Brasil

Publicado em 08/07/2025, às 07h04 - Atualizado em 09/07/2025, às 13h04   Rebeca Santos



Uma visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e da primeira-dama Janja da Silva ao centro de São Paulo, no final do mês passado, foi organizada após reuniões do governo com a Associação da Comunidade do Moinho.

De acordo com documentos obtidos pela coluna Metrópoles, a sede da entidade foi utilizada para armazenar drogas do PCC.

A presidente da ONG é irmã do antigo "dono" do tráfico na favela, o traficante Leonardo Monteiro Moja, o "Léo do Moinho".

Conforme o Ministério Público de São Paulo, a região é dominada pela facção criminosa, e o acesso de não moradores costuma ser limitado.

O ministro Márcio Macêdo (Secretaria-Geral da Presidência) esteve na associação dois dias antes da visita de Lula e Janja para discutir a agenda oficial do presidente na comunidade.

Durante o evento, Lula e Janja visitaram a favela e tiraram fotos com representantes da Associação.

O presidente anunciou um acordo para realocar as cerca de 900 famílias que vivem no local. A área, de propriedade da União, deve se tornar um parque.

Questionado pelo Metrópoles, o ministro afirmou que sua reunião com a associação teve como único objetivo apresentar a solução habitacional para os moradores da favela do Moinho.

Ele destacou que "o diálogo com lideranças comunitárias é parte fundamental da atuação de qualquer governo comprometido com políticas de inclusão social, habitação e valorização da cidadania".

Em nota enviada ao Bnews, a Secretaria de Comunicação afirmou que a agenda teve caráter institucional e público, voltado à escuta da comunidade.

Veja as notas na íntegra:

Nota da Secom

A agenda do Presidente da República na Favela do Moinho, em São Paulo, teve caráter institucional e público, voltado à escuta da comunidade e ao anúncio de políticas públicas em uma das regiões mais vulneráveis da cidade.

A interlocução com representantes comunitários é uma prática essencial de qualquer governo que atue com políticas públicas voltadas à inclusão, à moradia e à promoção da dignidade. Associações locais são formadas e escolhidas pelos próprios moradores e constituem pontos naturais de contato com o poder público.

Neste caso em específico, a interlocução com o presidente se deu por meio de Flavia Maria da Silva, liderança designada pela comunidade como porta-voz, com trajetória reconhecida e idônea.

A agenda do presidente consistiu em um ato na quadra poliesportiva da comunidade, uma visita à escola local, onde foi recebido por um coral de crianças, e a uma visita de cortesia à residência de Flavia da Silva.

A segurança do presidente, da primeira-dama e de toda a comitiva foi conduzida de forma rigorosa pelos órgãos competentes, conforme o protocolo adotado em qualquer agenda presidencial, não tendo sido identificado qualquer risco à integridade das autoridades presentes.

O governo federal reforça que atua com responsabilidade institucional, respeito às normas de segurança e compromisso com a promoção de políticas públicas voltadas à inclusão social e à melhoria das condições de vida da população.


Nota da Secretaria-Geral da Presidência da República

A agenda na Favela do Moinho teve como única pauta a apresentação da solução habitacional para as 900 famílias que residem naquela localidade.
O acordo de solução habitacional para a Favela do Moinho foi construído entre o governo federal e o governo do Estado de São Paulo.

O diálogo se deu com moradores da comunidade, primeiro para a construção do acordo que tinha como objetivo a saída pacífica da favela e a destinação adequada das famílias, e depois, na véspera do ato com o presidente Lula, para a preparação da visita em si.

O diálogo com lideranças comunitárias é parte fundamental da atuação de qualquer governo comprometido com políticas de inclusão social, habitação e valorização da cidadania.

A visita à Favela ocorreu de maneira tranquila, sem incidentes, de forma transparente, inclusive com o acompanhamento da imprensa.

O acordo, além da solução habitacional, também incluiu a autorização para a continuidade da cessão do terreno pertencente à União, para o governo do Estado fazer um parque. Para isso, foram estabelecidas condicionantes vinculadas à solução habitacional, evitando situações de conflito e violência”.

Classificação Indicativa: Livre

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