Política

Vítima de quadrilha que Marçal supostamente integrava relata prejuízos: 'Pegaram quase todo meu salário'

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Jornalista teve acesso a investigação da Polícia Federal que indica a participação de Pablo Marçal em quadrilha de golpes online  |   Bnews - Divulgação Reprodução/ vídeo

Publicado em 17/09/2024, às 22h20   Cadastrada por Letícia Rastelly



Nos anos 2000 a internet ainda “era mato” para os brasileiros. Poucos tinham acesso, os que tinham estavam aprendendo a usar, e os que sabiam usar eram facilmente enganados por estelionatários que usavam emails para furtar dinheiro de contas bancárias ou mesmo fazer compras de produtos que nunca chegariam a casa dos consumidores.

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Esse foi o tipo de crime cometido pela quadrilha ao qual o candidato à Prefeitura de São Paulo, Pablo Marçal, pertencia, segundo investigações da Polícia Federal, ao qual a Revista Piauí teve acesso. “Foi muito complicado. Eu precisava pagar contas e não tinha como pagar. Pegaram quase todo meu salário”, disse uma das vítimas da quadrilha, uma professora de ensino superior, que atualmente tem 68 anos e não quis se identificar.

Em 2005 ela e as demais vítimas escreveram cartas à mão, para solicitar o reembolso dos bancos, após explicar que não tinha realizado saques, transferências ou qualquer tipo de movimentação online. O grupo havia movimentado, na madrugada, R$ 4.650 de suas economias, ou R$ 13 mil nos dias de hoje em valores corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA).

Foi a partir de denúncias como a da professora que os bancos, principalmente Caixa, Banco do Brasil e Bradesco, acionaram a Polícia Federal. Os agentes passaram então a investigar o crime que ocorria simultaneamente em diversos estados da Federação, a exemplo de Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Rio Grande do Norte e do Sul. 

Ainda de acordo com os relatos trazidos a partir da investigação do repórter Arthur Guimarães, a carta de um outro correntista mostrava que a quadrilhava não atuava apenas com pessoas da classe média, mas com aqueles que não tinham nenhum contato com a internet.

“Eu descobri, depois que me ligaram falando que tinha voltado um cheque meu, aí eu tirei o extrato, e constatei que tinha sido feita uma transferência da minha conta (...) E eu nunca fiz nenhuma transferência via internet ou em terminal”, relatou outra vítima que havia perdido R$ 790 para os golpistas, ou R$ 2,2 mil em valores corrigidos.

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