Política
por Antonio Dilson Neto
Publicado em 01/10/2026, às 23h28
O candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) criticou as decisões judiciais que levaram ao cancelamento do debate da TV Globo nesta quinta-feira (1º) e afirmou que o Judiciário está “fazendo política” no Brasil.
Para o candidato, a sequência de decisões tomadas às vésperas do encontro provocou um cenário de "total insegurança jurídica".
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Estamos assistindo mais uma vez o Judiciário fazer política no Brasil. Nada contra a participação de qualquer candidato, mas nós sempre tivemos regras para serem obedecidas. E, faltando poucos minutos, uma decisão judicial, no meu entender sem pé e sem cabeça, muda tudo”, afirmou Zema a jornalistas após o cancelamento.
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O candidato também disse que, na avaliação dele, as decisões judiciais estariam beneficiando o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Nós estamos vendo a Justiça a serviço do Lula. Claramente, nenhum outro candidato tem denunciado tanto essa questão dos intocáveis que estão se sentindo ameaçados com essa eleição, estão querendo manipular”, declarou.
O cancelamento do debate ocorreu depois de duas decisões judiciais. Gilmar Mendes determinou que Renan Santos fosse incluído no confronto, enquanto a ministra do TSE Estela Aranha proibiu a Globo de exibir o púlpito vazio reservado a Lula, que havia informado que não participaria do debate.
Flávio Bolsonaro também desistiu de comparecer, alegando “interferência do Judiciário”.
Diante das mudanças, a emissora decidiu cancelar o programa e declarou que as decisões geraram insegurança jurídica para a realização do confronto.
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Em nota, a Globo agradeceu aos candidatos participantes e pediu desculpas ao eleitorado brasileiro.
"A Globo recebeu há pouco, na noite desta quinta-feira (1º), duas intimações judiciais relacionadas à realização do debate presidencial programado para esta noite.
A primeira é assinada pela ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e atende a um pedido da coligação da candidatura de Lula, do PT, à Presidência da República.
A decisão torna inválido o item das regras do debate que trata de candidatos ausentes.
A ata com as regras, assinada por todos os partidos, inclusive o PT, determina que em caso de ausência do candidato, o púlpito reservado a ele seja mantido vazio no cenário com uma placa que o identifique. E que numa das rodadas de tema livre, os candidatos presentes que assim desejarem formulem em trinta segundos a pergunta que fariam ao candidato que não compareceu.
A decisão da ministra Estela Aranha proíbe o púlpito com o nome de Lula e a formulação das perguntas que seriam feitas a ele.
A segunda intimação recebida pela Globo esta noite é de uma decisão proferida pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, e atende a um pedido feito pelo partido Solidariedade a respeito da participação no debate de Renan Santos, do Missão.
As regras que estabelecem que candidatos devem ser obrigatoriamente convidados para debates em rádio e TV são determinadas por lei e reguladas por portaria do Tribunal Superior Eleitoral.
evem ser convidados obrigatoriamente os candidatos de partidos com representação de pelo menos cinco parlamentares no Congresso Nacional.
Em atendimento a essa regra, a Globo convidou para o debate os candidatos Augusto Cury (Avante), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Lula (PT).
Uma outra decisão, essa da última terça-feira (29), do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, alterou entendimento do próprio TSE sobre contagem de parlamentares no Congresso para fins de debate e decidiu que Romeu Zema, do Novo, teria direito de participar.
A decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo, proferida há pouco, determinou a participação do candidato Renan Santos, mesmo o Missão, partido de Renan, tendo apenas um parlamentar no Congresso Nacional.
A Globo tem longa tradição na organização de debates eleitorais. Nosso propósito é promover a discussão de ideias para o Brasil. Oferecer aos eleitores a oportunidade de comparar projetos. Nosso dever é o de promover a democracia. Mas as sucessivas decisões judiciais tomadas momentos antes da realização do debate causam insegurança jurídica e representam uma interferência indevida na liberdade que os veículos de imprensa tem de organizar os debates eleitorais.
Por essa razão, a Globo decidiu cancelar o debate desta noite.
A Globo agradece aos demais candidatos e faz esses esclarecimentos em respeito aos eleitores e ao público que esperavam ter a oportunidade de ouvir propostas para o futuro do país."
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