Salvador

Baiana de acarajé tem materiais apreendidos pela Semop e acusa empresário de perseguição

Leitor BNews

Os equipamentos foram levados pela equipe da prefeitura na tarde desta quinta (9)

Publicado em 09/09/2021, às 20h40    Leitor BNews    Samuel Barbosa

Com 44 anos de vida e 30 deles dedicados ao tabuleiro de acarajé, a baiana Eliene Oliveira dos Santos ficou sem chão na tarde desta quinta-feira (9), ao ver uma equipe da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop) levar todos os seus matérias, do Cruzeiro de São Francisco, no Pelourinho, onde sua tenda funcionava. A profissional alega perseguição por parte de um empresário estrangeiro, dono de alguns empreendimentos na região do Centro Histórico. 

“A prefeitura tá completamente voltada pra esse dono do restaurante, ele já vinha tentando me tirar daqui. Antigamente quando ele tinha uma agência de viagem aqui ele não me perseguia, mas depois que ele colocou o restaurante no lugar começou a perseguição. Ele começou a dizer que o cheiro do acarajé estava indo lá pra dentro, que o pessoal estava pedindo pra ir buscar o acarajé lá fora, depois ele começou a dizer que o equipamento estava tapando a visão do restaurante dele”, explica. 

Eliene relatou que em determinada ocasião, o empresário chegou a alegar que ela não poderia vender acarajé por ser evangélica, mas que por orientação de terceiros, ele não levou essa argumentação adiante e começou a procurar outros motivos. 

A baiana disse ainda que o empresário tem muito conhecimento no local, tendo sido, inclusive, orientada por delegado, PM e por representante da Associação das Baianas a deixar o local. “Há muito tempo eu vendi na porta da sede do [Filhos de] Gandhy, mas fizeram uma rampa de acesso para deficiente e um posto da Guarda Municipal e a prefeitura me pediu procurar outro lugar. Pra ficar onde eu estava, no Cruzeiro de São Francisco, eu tive que arrumar uma declaração da igreja autorizando o tabuleiro ali para anexar no processo e agora eles dizem que a autorização não tem mais validade”, explicou.

Sem outra fonte de renda, ela começa a ficar preocupada com o pagamento do seu aluguel. “Me aluguel vence no dia 10 e ninguém quer saber, já não basta o tempo difícil que a gente passou nos últimos meses por causa da pandemia. Essa semana comprei uma saca de feijão, seu eu não tiver como vender o acarajé vou perder todo o material”.

A trabalhadora ressalta que todas as taxas exigidas pela prefeitura com relação a licença de funcionamento estão pagas, assim como as taxas da Associação das Baianas de Acarajé. Procurada, a Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop) não retornou aos contatos para explicar o motivo da baiana ter sido retirada do local.

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