Salvador

Ambulantes relatam dificuldades após mudança da rodoviária de Salvador: 'Tem gente passando fome'

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Vendedores ambulantes que trabalhavam há décadas no antigo terminal dizem que perderam renda após mudança  |   Bnews - Divulgação Reprodução/Bnews
Antonio Dilson Neto

por Antonio Dilson Neto

Publicado em 10/03/2026, às 17h22



A mudança da rodoviária de Salvador para o bairro de Águas Claras tem provocado um efeito colateral para dezenas de trabalhadores informais. Ambulantes que atuavam na antiga rodoviária e na passarela de acesso ao terminal relatam queda drástica no movimento e dizem enfrentar dificuldades para manter a renda.

Com a inauguração do novo equipamento, o fluxo de passageiros na região da antiga Rodoviária de Salvador diminuiu significativamente, afetando diretamente quem dependia da circulação diária para vender alimentos e produtos.

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A equipe do BNews conversou com ambulantes que afirmam trabalhar no local há décadas e que agora pedem realocação urgente no novo terminal para garantir o sustento das famílias.

Segundo Aldenir Alves, um dos vendedores que atuava na antiga rodoviária, famílias inteiras estão sendo prejudicadas com a situação. “Tem pais e mães de família aqui que trabalham há 30, 40 anos. A gente está pedindo um espaço para trabalhar na nova rodoviária. Desde o dia 19 de janeiro que fechou essa rodoviária e estamos passando necessidade”, afirmou.

Ainda segundo o ambulante, muitos trabalhadores já utilizaram todas as economias para pagar contas básicas.

O dinheiro que a gente tinha já acabou, foi para pagar despesas básicas. Já tem gente passando fome”

Os ambulantes afirmam que procuraram representantes do governo estadual e da prefeitura em busca de uma solução.

De acordo com o diretor da Associação dos Ambulantes, Paulo Marques, a categoria chegou a conversar com o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, sobre o problema.

Segundo ele, houve a indicação de que o caso seria tratado pela secretária Jusmari Oliveira, chefe da Secretaria de Desenvolvimento Urbano da Bahia (SEDUR), mas até agora não houve definição.

“Estamos enfrentando uma situação muito difícil. Já fomos três vezes na secretaria e até agora não tivemos resposta. Tem dois meses que esse pessoal está sem trabalhar, sem levar nada para casa. Como essas famílias vão viver?”, questionou.

Em nota enviada ao BNews, a Secretaria Municipal de Ordem Pública de Salvador (Semop) informou que não houve intervenção direta do órgão em relação a esses trabalhadores até o momento.

A secretaria afirmou ainda que não existe, por enquanto, espaço destinado ao comércio informal dentro do novo terminal, mas ressaltou que segue aberta ao diálogo.

Segundo o órgão, a prefeitura reconhece a importância do trabalho informal para a subsistência de muitas famílias e afirma estar disposta a buscar soluções que conciliem ordenamento urbano e geração de renda.

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