Salvador

Assadores 'abrem o jogo' sobre bastidores de festival em Salvador que ficou conhecido como "BBQ Show de Horrores"

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Longas filas, atrasos na entrega e poucas carnes seriam as principais reclamações das pessoas  |   Bnews - Divulgação Divulgação
Alex Torres

por Alex Torres

Publicado em 07/07/2025, às 11h34



O Festival BBQ Show Salvador, que foi realizado no último sábado (5), ficou marcado por muita reclamação por parte do público presente e até pelos assadores que estavam no evento. As principais queixas giraram em torno de uma possível desorganização do evento.

Longas filas, atrasos na entrega e poucas carnes seriam as principais reclamações das pessoas que estiveram no estacionamento do Parque Shopping da Bahia, em Lauro de Freitas. No entanto, em contato com a equipe de reportagem do BNews, assadores detalharam os bastidores do evento que ficou apelidado de "BBQ Show de Horrores".

"Nós sofremos muito. Todos os assadores baianos fomos sem cachê. Nós que somos do mundo da carne precisamos fomentar essa cultura. Previsão de chuva era de 90% e tentaram conseguir cobertura, mas ninguém queria alugar para colocar em cima de churrasqueira. Os voluntários, que ficavam lá para servir — a gente assava e eles serviam — foram embora. Ficamos lá sozinhos para atender esse público todo", afirmou um dos assadores, que pediu para não ser identificado. 

A chuva foi a maior causadora de tudo isso. Um evento de churrasco com chuva apagando [a churrasqueira] o tempo todo é lógico que vai dar problema. Não tem como colocar um toldo por cima, porque vai terminar queimando. Mas ninguém quer saber disso [...] Por outro lado, carne não faltou. Teve muita carne. O problema é que, devido a esses problemas, não teve tempo hábil para assar tudo", completou

Ainda segundo pessoas envolvidas no festival, houve uma desorganização com relação ao número de pessoas previstas. A baixa procura antes do São João fez com que cortesias fossem distribuídas, mas a venda teve um crescimento considerável na semana que antecedeu ao evento, fazendo com que o espaço ficasse lotado.  

Os assadores ainda explicaram uma falha de comunicação com relação a alguns cortes de carne considerados "exóticos". Nesses casos, havia proporção menor, porque eram para degustação. O problema ainda era agravado devido aos transtornos em manter a churrasqueira acesa.

"Tinha uma quantidade absurda de carne, garanto porque eu vi. Agora, as carnes exóticas como jacaré e avestruz eram degustação. A comunicação falhou nisso, o pessoal não entendeu. Poderiam ter informado que era uma degustação de seis horas em 30 estações. O problema é que tudo isso era feito na brasa. Imagine a batata frita sendo feita na brasa e a água pingando no óleo quente", contou.

Organização do evento

Para ter acesso ao evento, além das cortesias distribuídas, houveram duas modalidades de ingresso. Os mais caros custavam R$ 190 e a pessoa poderia entrar a partir das 14h, sendo um público um pouco menor. Já os mais baratos eram R$ 140, com entrada liberada 15h. O evento durou até cerca de 23h30.

"Os primeiros comeram muito bem e foram muito bem servidos. O problema é que depois a chuva começou. Quando abriu para a turma que pagou R$ 140, o 'cacau caiu' e a galera tava morrendo de fome. Pessoal queria comer à vontade e terminou sendo um caos", disse um dos assadores, que amenizou a responsabilidade dos organizadores do evento.

O pessoal da organização tentou correr atrás, não vou dizer que largaram a gente também não. Eles fazem esse evento pelo Brasil todo, a estrutura tava linda, mas realmente teve esse problema que foi complicado. Os caras correndo para resolver, a galera querendo comer de qualquer jeito, o fogo apagado e a carne não é mágica", destacou. 

Solução do problema

Por conta das dificuldades, muitos assadores pensaram em desistir, mas terminaram convencidos a permanecer em respeito ao público presente. Eles relataram, entretanto, que os voluntários presentes para servir o público, acabaram não tendo o mesmo pensamento e foram embora, dificultando ainda mais o atendimento

"Os assadores mais conscientes bateram o pé e não largamos. Eu servi mais de 3 mil pessoas junto com outras duas pessoas. Estou aqui todo arrebentado, porque os voluntários, que estavam lá para ajudar, foram todos embora e largaram a gente na mão. Se a gente fechasse, viraria um pandemônio", garantiu.

Sobre a possibilidade de colocarem toldos para impedir as consequências causadas pela forte chuva que atingiu o espaço, eles explicaram que seria difícil e ainda colocariam em risco a segurança do público.

"A organização poderia ter colocado toldo? Até poderia, para o leigo isso é simples. Mas quando você tem fogo de chão, que sobe a uma altura de quase 2 metros, com toda a questão do calor, ninguém vai querer alugar o toldo. Seria muito perigoso. O Corpo de Bombeiros, que estava lá, não permitiria esse tipo de coisa", finalizou.

Classificação Indicativa: Livre

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