Salvador
O comerciante de 38 anos, Carlos Santos das Virgens, mudou a sua atividade de trabalho após o início das obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) em Salvador (BA), e se mostrou surpreso quanto ao resultado inesperado.
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O trabalhador alegou que esperava totalmente o contrário, que a sua renda fosse se extinguir. O motivo é que Carlos foi uma das mais de 700 pessoas que tiveram o imóvel desapropriado para a construção do novo modal de transporte de Salvador (BA). Além de sua moradia, o bar que é proprietário também precisou ser desapropriado.
Os imóveis estão localizados em Praia Grande, no Subúrbio Ferroviário de Salvador, e em frente ao famoso Brega de Orlando, considerado um dos cabarés mais tradicionais da localidade. Carlos vendia lanches como hambúrguer, misto, suco natural, além de bebidas alcoólicas e cigarro. O local ainda contava com uma sinuca.
Foi no início da construção do VLT que Carlos enxergou uma nova possibilidade de mudar de vida e se deparou com uma grande oportunidade. O trabalhador recebeu a indenização pelo imóvel, e ainda tentou encontrar outro espaço para reabrir seu estabelecimento. Mas uma antiga atividade pareceu mais atraente: a pesca.
Antes de trabalhar como comerciante, Carlos era pescador e conhece o mar da Baía de Todos-os-Santos como ninguém, e viu todas as mudanças do transporte público na região alterarem o modo de levar a sua mercadoria para melhor. Principalmente pelo serviço de ônibus de Salvador não ser viável.
"Com o trem não tinha dificuldades. Às vezes dava uns problemas. Mas era melhor que os ônibus que temos hoje".
O trabalhador relembra que quando ouviu a notícia sobre as desapropriações de um profissional da Companhia de Transportes do Estado da Bahia (CTB), foi até o local para realizar a avaliação do imóvel a fim de receber as informações devidas sobre o processo de indenização e avaliação do imóvel.
"Me perguntaram quanto eu recebia, quanto gerava por mês. Falei o valor. Tudo direitinho. Foi apresentada uma proposta inicial, eu expliquei minha situação, o valor foi reavaliado e chegamos a um acordo justo. Foi tudo tranquilo", declarou.
Carlos relatou que a negociação foi “humana”, afinal o profissional que o atendeu entendeu a sua situação e que precisava de um valor justo para que pudesse fazer as mudanças devidas e continuar com o seu negócio.
"Veio o profissional e ele super entendeu a minha situação. Porque eu estava saindo de uma área que eu estava há um tempo. Eu investi o que eu tinha ali. Então, eu ia começar do zero. E ele foi bem humano. Ele disse que eu tinha que comprar um terreno, fazer minha barraca acontecer de novo. Que teria que ser em um ponto estratégico, frente de rua. Teriam os custos de liberação. Então, a situação foi analisada com atenção e o valor passou por uma atualização. Recebi um valor justo”.
Após o contrato ter sido acertado, Carlos levou somente 15 dias para retirar os seus materiais, o que poderia reaproveitar da estrutura e deixar o imóvel.
"Não teve dor de cabeça. Recebi a indenização, a casa ficou vazia. Não teve problema nenhum”, acrescenta.
Além de todo o processo de realocação, o valor que Carlos recebeu pelo imóvel se tornou um investimento para o que seria a sua atual atividade de trabalho: a pesca.
“Comprei um barco, os materiais de novo. Paguei também algumas dívidas, porque todo mundo tem dívidas. E, agora, vivo da pesca”, pontua.
A mudança na atividade trouxe também um aumento na renda. No bar, Carlos faturava aproximadamente R$ 2,5 mil por mês, uma renda que oscilava a depender do movimento da clientela. Mas alerta que mesmo pelo aumento, ele não tem um valor fixo sobre os seus lucros na atividade pesqueira.
"Às vezes caía o movimento. Na pesca, esse valor subiu e passa disso. Passa, com certeza, mas não tenho um cálculo exato", afirma.
A atividade pesqueira abriu novos caminhos para seus planos e agora, com o funcionamento do VLT, ele espera que a construção seja benéfica ao funcionamento e aos benefícios aos pescadores. Além disso, Carlos elogiou a abordagem do presidente da Companhia de Transportes do Estado da Bahia (CTB), Eracy Lafuente.
"Fizemos uma reunião com o presidente da CTB e o líder comunitário, e nos falaram que vão fazer um espaço pra gente. Que vão ter lugares estratégicos. Vão botar rampa também para puxar os barcos. Então, fomos ouvidos e fomos compreendidos", complementa.
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