Salvador
Os comerciantes e moradores da Gamboa de Baixo, comunidade localizada na região central de Salvador, denunciaram nesta terça-feira (21) ameaças de fechamento de estabelecimentos comerciais durante ações de segurança realizadas no bairro.
Segundo relatos, além das operações policiais voltadas ao combate ao tráfico de drogas, há a possibilidade de atuação da Guarda Municipal para interditar comércios sob a alegação de irregularidades e ausência de alvará de funcionamento.
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A denúncia foi feita por lideranças comunitárias, que classificam a medida como injusta e desproporcional. De acordo com os moradores, a Gamboa de Baixo passa atualmente por um processo de discussão sobre regularização fundiária junto à Prefeitura de Salvador, o que inviabilizaria, na prática, a exigência formal de alvarás para comerciantes da área.
Para a comunidade, a iniciativa contribui para o enfrentamento ao tráfico, no entanto, acaba atingindo trabalhadores locais, como donos de bares, pequenos comércios e pescadores, aprofundando um cenário de insegurança econômica e social.
Os moradores afirmam ainda que a medida reforça uma tentativa histórica de expulsão de uma comunidade tradicional, popular e majoritariamente negra, situada em uma área valorizada da capital baiana.
Uma das lideranças locais, a comerciante Ana Caminha, proprietária de um bar na comunidade, fez um apelo público às autoridades municipais e criticou a forma como as ações vêm sendo conduzidas. Segundo ela, a população não é contrária à presença da polícia, mas cobra respeito e proporcionalidade.
“É uma denúncia muito grave. Nós estamos, para além das ações policiais, que justificam a ação contra o tráfico de droga na Gamboa, e a gente quer repudiar isso. Eu acho que toda a polícia tem que fazer seu trabalho nas comunidades, nos nossos bairros, porque isso também é bom para a gente, não é bom só para vocês não, é bom para a cidade toda, e nós fazemos parte dessa cidade. O pessoal da polícia, da guarda municipal, descer a comunidade para fechar os comércios, justificando que é irregular”, questionou.
Ana Caminha também afirmou que o fechamento dos estabelecimentos atinge diretamente a subsistência de moradores e jovens da região, em um contexto de falta de acesso a emprego, educação e serviços básicos.
“Vai fechar os bares, vai matar pessoas, e a gente não aceita morrer com essas responsabilidades de vocês. Então faça um trabalho, um trabalho digno, um trabalho certo, e respeite a Gamboa de baixo. Nós somos uma comunidade tradicional de pescadores e pescadoras no centro de Salvador, e a gente diz o tempo todo que daqui não saio e ninguém me tira”, declarou.
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A equipe do BNews entrou em contato com a Guarda Civil Municipal de Salvador (GCM) e com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Urbanismo (Sedur), responsável por fiscalizar, fechar e interditar comércios por irregularidades administrativas, falta de alvará ou descumprimento de normas municipais, com o objetivo de obter mais informações acerca do caso, além de um pronunciamento oficial por parte dos órgãos envolvidos.
Em nota, a GCM afirmou que “apenas atuou no apoio às ações de fiscalização dos órgãos públicos” e que “desconhece essa denúncia”. Enquanto isso, a SEDUR destacou que a assessoria de comunicação iria soltar um comunicado acerca do caso. No entanto, o pronunciamento não foi divulgado até o fechamento da matéria.
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