Salvador

Diretor da CODEBA é acusado de violência contra ex-esposa e justiça concede medida protetiva; saiba o que dizem os envolvidos

Reprodução/ Montagem
A ex-esposa denuncia agressões físicas e psicológicas, além de ameaças relacionadas à pensão alimentícia de seu filho  |   Bnews - Divulgação Reprodução/ Montagem
Lucas Pacheco

por Lucas Pacheco

lucas.pacheco@bnews.com.br

Publicado em 20/12/2025, às 14h53 - Atualizado às 14h55



Um dos diretores da Autoridade Portuária Federal da Bahia – CODEBA, que administra os portos de Salvador, Ilhéus e Aratu, está envolvido em uma série de acusações de suspostas violências física, psicológica e patrimonial, que teriam sido cometidas contra sua ex-esposa, e que levaram o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) a conceder uma medida protetiva em favor da mulher. O diretor é Leandro Sérgio Pontes Gaudenzi, responsável pela gestão administrativa e financeira da CODEBA. 

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De acordo com a decisão proferida pela juíza Denise Vasconcelos Santos, à qual o BNews teve acesso, a ex-cônjuge relata que manteve com Leandro Sérgio uma união por aproximadamente 11 anos, da qual nasceram dois filhos, sendo um deles ainda menor de idade. Ela afirma ainda que, inicialmente, a relação era tranquila, contudo houve episódios de abuso por parte do diretor, "que se mostrava controlador, possessivo e ciumento". Que o casamento "passou a apresentar características de violência após a autora descobrir que o requerido mantinha relacionamento extraconjugal" e que viveu inúmeros episódios de violência doméstica, abrangendo violência física, psicológica e moral e que chegou a registrar boletim de ocorrência.

A mulher relata ainda que, após o término da relação, passou a enfrentar uma severa deterioração de sua condição financeira, já que a principal fonte de sustento dela e do filho provém do trabalho, complementado pela pensão alimentícia, que, segundo ela, Leandro Sérgio "ameaça constantemente reduzir ou cessar como forma de coação".

Na petição inicial, a Defensoria Pública da Bahia, que representa a ex-esposa, discorre um dos supostos casos de violência patrimonial

"O ato mais grave de violência patrimonial ocorreu em 08 de agosto do corrente ano, quando o Requerido, por meio de seu advogado, comunicou que se recusa a assinar a documentação necessária para a liberação de valores referentes à venda de um imóvel comum do ex-casal, leiloado pela Caixa Econômica Federal. Conforme contrato, 45% do saldo a ser restituído pertence, por direito, à Requerente. A liberação do montante, que é crucial para o sustento da Requerente e de seu filho, depende da assinatura de ambos os excônjuges. Contudo, o Requerido, de forma abusiva e ilegal, condiciona sua assinatura à aceitação, pela Requerente, de um novo acordo de alimentos que prevê a redução da pensão e a exclusão do plano de saúde e do auxílio-alimentação do filho menor", diz o documento. 
Relato
Relato

Em conversa exclusiva com o BNews, a mulher deu mais detalhes das supostas agressões.

"Este senhor vem ao longo de 10 anos me perseguindo, já fui agredida fisicamente. Depois do afastamento do lar, ele continuou com provocações psicológicas e patrimoniais. Ele cortou o plano de saúde dos filhos em plena pandemia de COVID e é devedor de pensão alimentícia desde 2018, com processo aberto na 2ª Vara de Família. Ao longo destes anos assistimos viagens internacionais, diárias pagas com dinheiro público de maneira bastante suspeita e a deterioração do meu patrimônio. É bom lembrar que este senhor é herdeiro, recebe proventos de investimentos de herança, é empregado público federal e ocupa cargo de diretor da CODEBA. Ele me espancou. Depois que saiu de casa passou a me perseguir com abusos psicológicos e patrimoniais", afirmou.

E desabafou:

"Não é este o resultado que nós mulheres queremos ver nos dias de hoje, onde um genitor se apropria da saúde, financeira, mental e física da mãe dos próprios filhos e ainda é premiado com cargos de super poderes e super salários", disse.

Na decisão que concedeu a medida protetiva, a magistrada Denise Vasconcelos Santos afirma que o relato da ex-esposa indica possível prática de condutas violentas pelo ex-marido, "comportamentos que sugerem uma aparente instabilidade emocional e desrespeito sistemático aos direitos fundamentais dela e da prole em comum, podendo comprometer a integridade física, psicológica e patrimonial dela".

A juiza destaca ainda que episódios de violência doméstica contra a mulher ocorrem geralmente em ambiente familiar, praticados na clandestinidade, sem a presença de testemunha presencial ou terceiros envolvidos e que, por conta disso, a lei permite que, nestes casos, as alegações da vítima ganhem maior significado, não se podendo exigir um maior rigor de provas para o deferimento da medida protetiva. 

Em razão disso, Denise Vasconcelos Santos determinou que Leandro Sérgio Pontes Gaudenzi está proibido de se aproximar da ex-eposa, devendo manter distância de 200 (duzentos) metros, também está proibição de entrar em contato com ela por qualquer meio de comunicação, direto ou indireto, físico ou tecnológico, incluindo: ligações telefônicas, mensagens de texto, emails, redes sociais, aplicativos de mensagens, plataformas digitais, ambientes virtuais. Ainda, o diretor da CODEBA está impedido de frequentar locais em que saiba da presença da ex-mulher, principalmente sua residência e local de trabalho e que, caso haja coincidência de ambos irem a um mesmo ambiente, aberto ao público ou não, aquele que já estiver no local terá preferência em permanecer.

Decisão
Decisão

O que dizem os citados

O BNews procurou a Autoridade Portuária Federal da Bahia – CODEBA e Leandro Sérgio Pontes Gaudenzi. A Autoridade Portuária disse que orienta sua atuação pelo respeito ao devido processo legal e às competências das instâncias responsáveis pela apuração dos fatos e que não se manifesta sobre ocorrências que estejam sob investigação, "as quais serão devidamente analisadas e apuradas pelos órgãos competentes, nos momentos processuais oportunos.

Já Leandro Sérgio Pontes Gaudenzi afirmou que recebeu com "extrema surpresa" a notícia veiculada na imprensa sobre processo judicial do qual não foi notificado, nem tinha conhecimento dos autos. Ele alegou ainda que o fato é "baseado em ilações caluniosas" e tem o único objetivo de prejudicar sua reputação pessoal e profissional, "construída a base de muito trabalho e seriedade". O diretor da CODEBA apontou também que refuta por completo todas as ilações imputadas a ele e que buscará as vias judiciais cabiveis para defender seus direitos e exigir as devidas responsabilizações legais", disse.

A defesa de Leandro Sérgio publicou uma carta destacando que com "extrema tristeza e indignação" tomou conhecimento do caso por meio da imprensa, "sem que o Sr. Gaudenzi tenha sido formalmente notificado ou sequer tido a oportunidade de exercer seu direito constitucional ao contraditório e à ampla defesa" e que "este fato, por si só, já lança uma sombra de dúvida sobre a lisura e a motivação por trás da divulgação", diz um trecho do documento dos advogados Rafael Gama e Abraão Pires. 

Veja a nota completa da CODEBA:

"A Autoridade Portuária Federal da Bahia – CODEBA orienta sua atuação pelo respeito ao devido processo legal e às competências das instâncias responsáveis pela apuração dos fatos.

A Companhia informa que não se manifesta sobre ocorrências que estejam sob investigação, as quais serão devidamente analisadas e apuradas pelos órgãos competentes, nos momentos processuais oportunos.

A CODEBA reafirma seu compromisso com uma atuação ética, responsável e alinhada aos limites legais da comunicação institucional".

Confira a nota de Leandro Sérgio:

"Eu, Leandro Sérgio Pontes Gaudenzi, recebi com extrema surpresa notícia veiculada na imprensa sobre processo judicial do qual não fui notificado, nem tinha conhecimento dos autos.

O fato em si, que provarei ser baseado em ilações caluniosas, tem o único objetivo de prejudicar minha reputação pessoal e profissional, construída a base de muito trabalho e seriedade.

Pior, acaba por envolver meus familiares, expondo-os a enorme contrangimento público.

Já refuto por completo todas as ilações a mim imputadas e informo que, como sempre fiz, buscarei as vias judiciais cabiveis para defender meus direitos, e exigir as devidas responsabilizações legais".

Leia a carta completa da defesa de Leandro Sérgio:

"Em Defesa da Honra e da Verdade: Esclarecimento sobre as Alegações Caluniosas e Difamatórias contra o Sr. Leandro Sergio Pontes Gaudenzi

O Sr. Leandro Sergio Pontes Gaudenzi, vem a público manifestar sua profunda surpresa e veemente repúdio às informações veiculadas em portais de notícias, as quais reportam a concessão de uma medida protetiva em favor de sua ex-cônjuge, sob a alegação de violência doméstica.

É com extrema tristeza e indignação que tomamos conhecimento de tal medida por meio da imprensa, sem que o Sr. Gaudenzi tenha sido formalmente notificado ou sequer tido a oportunidade de exercer seu direito constitucional ao contraditório e à ampla defesa. Este fato, por si só, já lança uma sombra de dúvida sobre a lisura e a motivação por trás da divulgação.

O Sr. Leandro Gaudenzi, cuja conduta ilibada e trajetória profissional são amplamente reconhecidas, lamenta profundamente que sua vida pessoal e familiar esteja sendo instrumentalizada para fins que, a nosso ver, configuram uma manobra de má-fé, caluniosa, difamatória e irresponsável.

As alegações de “episódios reiterados de violência física, psicológica, moral e patrimonial” são categoricamente refutadas. Acreditamos que esta ação judicial, e sua subsequente e prematura publicização, é mais um capítulo na série de tentativas de desmoralização e ataques pessoais orquestrados por uma pessoa que, lamentavelmente, possui um histórico de atitudes não urbanas contra o Sr. Gaudenzi e sua família, obrigando-o a mais uma vez, com inúmeras e robustas provas matérias comprovar, na justiça, que há contra ele litigâncias de má fé e tentativas de calúnia e difamação".

Diante da natureza caluniosa e difamatória das alegações aqui tratadas,
e da ausência de qualquer prova que possa abalar a conduta ilibada do Sr. Leandro Gaudenzi, informa-se que todas as medidas judiciais cabíveis, como
devem ser, estão sendo devidamente tomadas. O Sr. Gaudenzi, por meio de
sua assessoria jurídica, buscará a imediata reversão da medida ora tratada, e
da responsabilização daqueles que, agindo de má fé, levaram a imprensa a
veicular de forma irresponsável e parcial informações sobre o tema aqui
tratado. O Sr. Gaudenzi reitera seu compromisso com a verdade e confia que a
justiça restabelecerá a sua honra. 

Classificação Indicativa: Livre

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